Teatro
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Maria Clara Machado (1921-2001)
Autora de clássicos do teatro infantil brasileiro, Maria Clara Machado fundou o grupo experimental de teatro, O Tablado - escola que formou gerações de novos atores - símbolo da melhor produção do teatro brasileiro para crianças. Pluft, o fantasminha, lançado em 1951 e O cavalinho azul, 1960, renovaram a literatura teatral para crianças, ao tratar de conflitos naturais da infância, como o medo de crescer, numa linguagem rica e acessível capaz de encantar como espetáculo.
Filha do escritor Aníbal Machado, Maria Clara nasceu em Belo Horizonte, em 1921, mas foi criada no bairro de Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, estimulada pelo convívio rotineiro com escritores e artistas, que frequentavam a casa da família. Cedo, identificou o teatro como seu maior interesse, estudou teatro em Londres e Paris e, ao voltar, transformou O Tablado num laboratório de novas ideias.
Décio de Almeida Prado, em O teatro brasileiro moderno, reconhece a importância de O Tablado: “Como escola, mediante cursos práticos e a montagem de autores clássicos e modernos (...) como criador do teatro infantil moderno no Brasil, gênero dos mais prósperos entre nós.” Maria Clara e Lúcia Benedetti, documenta Décio, foram as primeiras a exigir que o teatro para crianças tivesse a mesma qualidade cênica e literária que os espetáculos para adultos. Reconhecendo a fidelidade ao texto poético como uma característica do trabalho do Tablado, o estudioso afirma que “..desse ponto de vista a diferença entre teatro infantil e teatro adulto tende a desaparecer. (...) a crença na força criadora da imaginação, capaz de abolir ocasionalmente as fronteiras entre o verossímil e o inverossímil. Abaixo a realidade, viva a fantasia - bem poderia ser o lema do Tablado.”
Maria Clara Machado também atuou como atriz na juventude, mas interrompeu a carreira de intérprete em 1955, preferindo dedicar-se ao trabalho de direção e à formação de atores, muitos deles hoje destaques do teatro, do cinema e da televisão, ciosos de citar, em entrevistas e depoimentos, a importância de terem sido alunos de Maria Clara, tanto para a boa formação técnica e cultural de ator, quanto no preparo para enfrentar, com disposição, as dificuldades da vida.
Quase 30 anos depois de ter abandonado o palco como atriz, Maria Clara, que morreu em 2001, interpretou Ensina-me a viver, peça baseada em Harold and Maude, de Collin Higgins. Mas, certamente, foi como mestra de atores e autora teatral que deu sua maior contribuição. As peças que escreveu continuam a ser encenadas e o público infantil aplaude feliz.
Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)



