Educação Financeira
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De saída do aluguel
O aumento de renda da população brasileira nos últimos anos permitiu que alguns sonhos começassem a ficar possíveis de se realizar. É o caso da compra da casa própria. Antes uma ação muito dispendiosa, hoje, com mais incentivos para acontecer.
Em 2010, só a Caixa Econômica Federal, por exemplo, liberou R$ 75,92 bilhões para que os brasileiros realizassem a compra de um imóvel. Nos primeiros três meses de 2011, 226.381 contratos já foram assinados, totalizando R$ 14,7 bilhões, número ligeiramente superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (R$ 14,6 bilhões).
Não existe muito segredo para ter o seu próprio imóvel. Para manter a saúde do seu bolso, a opinião de dez entre dez especialistas em finanças pessoais é que a compra seja à vista, e de preferência com desconto – o que vale também para a compra de automóveis, materiais de construção, eletrodomésticos etc. Quem faz a sua poupança, economiza ou aplica sua renda, e consegue realizar o pagamento no ato, evita, por exemplo, a cobrança de juros.
Mas se você não tem todo o dinheiro em mãos é possível pedir emprestado ao banco o que falta, por meio de financiamento, ou então entrar em um consórcio. No primeiro caso, com a ajuda de uma instituição financeira, o consumidor pega emprestado o valor que falta para complementar a compra do bem e, ao longo dos anos paga, com juros, parcelas para quitar a dívida.
Já na segunda modalidade é feita uma poupança coletiva, em que cada membro contribui com um valor mensalmente com o objetivo de autofinanciar a compra do imóvel.
Mas fatores importantes precisam ser considerados antecipadamente para que este sonho não vire um pesadelo. “O interessado deve se perguntar: ‘eu tenho todo o dinheiro ou não?’. É preciso fazer um diagnóstico financeiro e verificar quanto o valor da prestação comprometerá o orçamento e se é possível pagar por isso”, ensina o educador financeiro Reinaldo Domingos.
“E se for comprar um imóvel novo ainda tem toda a instalação, compra de móveis, eletrodomésticos. Sem contar as despesas legais com cartório e impostos”, explica.
É importante que a pessoa, ou família, também tenha clareza sobre o lugar que ela quer comprar o imóvel. Conhecer o entorno, o padrão de vida do local. Isso pode mudar o estilo de vida da pessoa, e comprometer o orçamento da família.
E quando a compra financiada de um imóvel de fato vale a pena? É preciso que duas variáveis estejam em sintonia. A primeira delas é a estabilidade na vida financeira. “É preciso ter educação financeira, você tem de cuidar da prestação. Uma prestação não pode tomar de 20 a 30% de sua renda total”, afirma Domingos.
A segunda variável a ser levada em conta é se o valor pago mensalmente no aluguel é igual ou superior à prestação do imóvel desejado.
“É uma questão de escolha. Se você fizer uma simulação de financiamento nos bancos vai ver que em média você paga o preço de três imóveis até o fim do contrato. Se você guardar e investir o mesmo valor da prestação, em sete ou oito anos é possível comprar o imóvel à vista, sem ter de entrar em financiamento”, explica o educador financeiro.


