Energia
Petróleo e derivados
Nenhuma fonte de energia tem a importância geopolítica do petróleo, já que o produto constitui a base da economia produtiva mundial e pode ser transportado ao redor do mundo com relativa facilidade.
Assim, o país que detém e controla reservas petrolíferas e mantém uma estrutura adequada de refino tem vantagens competitivas sobre setores vitais da economia interna (como transporte e produção de eletricidade) e da indústria, pela participação no comércio internacional e pela exportação direta do óleo e seus derivados.
Além de gerar combustíveis como gasolina, óleo diesel e querosene de aviação, o petróleo é também a base de diversos produtos industrializados, que vão da parafina e da nafta petroquímica aos tecidos e plásticos.
- Brasil produz mais petróleo do que a demanda interna mas ainda não é autossuficiente
O petróleo é formado a partir da decomposição da matéria orgânica ao longo do tempo, sendo encontrado nos poros de determinadas camadas sedimentares conhecidas como “rochas reservatório”. Trata-se, portanto, de um energético não renovável, o que aumenta a importância da descoberta de novos campos produtores ou de novas regiões produtoras.
Segundo maior produtor de petróleo na América do Sul, o Brasil vive em constante crescimento no setor. No fim dos anos 1970, o País produzia, em média, 200 mil barris de petróleo por dia. Em 2009, alcançou a marca de dois milhões de barris diários.
O crescimento da produção neste período associou-se às grandes descobertas marítimas de petróleo e gás na Bacia de Campos, que começou com a descoberta do campo de Garoupa (RJ), em 1974, iniciando a busca em águas cada vez mais profundas. Nos anos 1980 e 1990, foram descobertos campos gigantes naquela bacia.
No primeiro semestre de 2008, a Petrobras anunciou a descoberta de um campo de petróleo no Pré-sal (abaixo de uma camada geológica de dois quilômetros de espessura de sal) na Bacia de Santos. O potencial dessa descoberta e das seguintes na região do Pré-sal coloca o Brasil no mesmo nível de reserva dos grandes produtores mundiais.
O planejamento estratégico da Petrobras prevê uma produção total, no Brasil e no exterior, de 3,993 milhões de barris de óleo equivalente (boe - somatório da produção de petróleo e de gás natural) em 2015 e 6,418 milhões de boe por dia em 2020.
O País produz mais petróleo bruto do que a sua demanda interna (atualmente, de 1,9 milhão de barris por dia). No entanto, como cerca de 70% da produção é de petróleo mais pesado e a estrutura de refino não é totalmente adequada para o processamento desse tipo de óleo, ainda é necessário importar petróleos leves, para aumentar a produção de derivados leves e médios, como gás de cozinha, gasolina, nafta petroquímica e óleo diesel. Assim, o excedente de petróleo nacional pesado é exportado.
A Petrobras vem modernizando seu parque de refino para elevar a capacidade de processamento de petróleo pesado e de produção de derivados que ainda precisam ser importados. A companhia também está construindo cinco unidades de refino, nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará.
Mais modernas, elas poderão processar tanto o petróleo pesado da Bacia de Campos como o petróleo leve, encontrado no Pré-sal. Com isso, a empresa vai reduzir a exportação de petróleo bruto e aumentar a exportação de derivados, de maior valor agregado.
Fontes:
Petrobras
Atlas de Energia Elétrica no Brasil da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)
Agência Nacional do Petróleo (ANP)


