Esportistas consagrados
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Clodoaldo Silva (1979)
Natural do Rio Grande do Norte, em Natal, o nadador paraolímpico Clodoaldo Silva foi o único dos três filhos de Dona Maria das Neves que teve paralisia cerebral, ocasionada por falta de oxigênio durante o parto. A doença afetou os movimentos das pernas e trouxe uma pequena falta de coordenação motora.
Foi por recomendação médica, aos 17 anos, que Clodoaldo começou a nadar. Na época, trabalhava como artesão, fazendo cadeiras de cordas, e conciliava a atividade com os treinos e estudos. O bom desempenho nas piscinas chamou a atenção do primeiro técnico da seleção brasileira paraolímpica de natação, Zeca Vilar, que o convidou para entrar em competições.
- Clodoaldo Silva durante o revezamento da tocha Paralímpica em Londres
Seu primeiro campeonato brasileiro foi disputado em 1998, na classe S4 (S de swimming, natação em inglês, e 4 representando o nível de limitação físico-motora do atleta). Na ocasião, garantiu nada menos que três medalhas de ouro. Um ano depois, conquistou diversos títulos internacionais para o País, como as três medalhas de ouro nos Jogos Mundiais da Nova Zelândia e no Parapan do México.
A falta de patrocínio e as dificuldades para manter os estudos, treinos e trabalho davam mais força para que o nadador escrevesse seu nome na história da natação. “Grandes empresas não viam no esporte paraolímpico grande rendimento. Se antigamente recebia algum tipo de ajuda, era apenas para competições pontuais. Atualmente a realidade mudou, mas ainda falta uma visão de empresários. Havendo patrocínio, mais campeonatos acontecerão e outros inúmeros talentos serão descobertos por todo o Brasil”, diz.
Em 2000, nos Jogos Paralímpicos de Sydney, o nadador sentiu a emoção de representar o País pela primeira vez. Tinha 21 anos. “Foi uma sensação indescritível, Paraolímpiada é diferente de qualquer outra competição porque envolve diversos patrocinadores, visibilidade e o poder de carregar a bandeira do País. Antes achava que não teria ninguém assistindo, mas no dia da abertura vi que não era assim. Lá estavam mais de 50 mil pessoas para prestigiar o evento”. Naquela ocasião, trouxe para casa quatro medalhas, sendo três de prata (100m livres, revezamentos 4x50m livre, 4x50 medley) e uma de bronze (50m livre).
A vida de Clodoaldo Silva começou a mudar quando a Lei Agnelo Piva foi vigorada no Brasil, em 2001. Ela estabelece que 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do País sejam repassados para o Comitê Olímpico Brasileiro e ao Comitê Paralímpico Brasileiro. Neste mesmo ano, o atleta deixou o emprego de auxiliar de escritório numa farmácia para se dedicar exclusivamente ao esporte.
O “Tubarão Paraolímpico”, assim conhecido, deixou sua marca também em mundiais. Sua alta performance garantiu, em 2002, na Argentina, a quebra de três recordes: nos 50 m, 100m e 200m livre. Depois disso, era comum entrar nas piscinas para ganhar medalhas e ultrapassar suas próprias metas.
Nas Paralímpiadas de Atenas, em 2004, o atleta virou ídolo nacional e inspirou jovens, como os nadadores Daniel Dias e André Brasil, a seguirem seus passos na natação e fez o esporte para portadores de deficiência alcançar visibilidade no País. Ele conquistou seis medalhas de ouro e uma de prata das oito provas em que disputou.
Em 2005, Clodoaldo continuava brilhando nas piscinas com o saldo de 47 medalhas de oito competições nacionais e três internacionais. Destas, 40 de ouro, 5 de prata e 2 de bronze. Também bateu seu próprio recorde mundial nos 50 m livre na Inglaterra, quando nadou na I Copa do Mundo Paraolímpica.
Nos primeiros semestres de 2006, mais vitórias para o atleta. Desta vez, conseguiu 25 medalhas em três competições internacionais e uma nacional, sendo 22 de ouro e três de prata. Seu próprio recorde mundial foi batido nos 100m livre duas vezes e também nos 50m borboleta.
Em Pequim, nos Jogos Paralímpicos, o nadador potiguar foi remanejado da classe S4 para S5, onde disputou com atletas de menor grau de deficiência. Mesmo assim, trouxe uma medalha de bronze no revezamento 4x50 metros e uma de prata, no revezamento 4x50 metros medley.
Entrou para a história do esporte nacional por quebrar quatro recordes mundiais, cinco paraolímpicos e 11 parapanamericanos. Foi o maior medalhista paraolímpico do Brasil, com 13 medalhas, só perdendo este posto em 2012 para o nadador Daniel Dias, que conquistou seis medalhas nas últimas edições dos Jogos em Londres, totalizando 15.
Com a carreira repleta de glórias, Clodoaldo Silva recebeu prêmios por tanta dedicação. O Comitê Paralímpico Internacional já o honrou com o troféu de melhor atleta paraolímpico do mundo. Também foi o único atleta paraolímpico a receber do Comitê Olímpico Brasileiro o Troféu Hors Concours, que é a maior honraria do Prêmio Brasil Olímpico. Em 2012, ele foi o representante brasileiro, ao lado de Ádria Santos, no revezamento da tocha paraolímpica em Londres.
Atualmente, o atleta se divide entre treinos e atividades sociais. Ele mantém o Instituto Clodoaldo Silva, em Natal (RN), onde trabalha para, segundo ele, desenvolver grandes atletas e grandes cidadãos. “Desafio é muito maior que o esporte, temos que levantar a bandeira e mostrar que somos capazes. Precisamos de oportunidade e não de pena”, diz.
Fontes:
Comitê Paralímpico Brasileiro
Site Clodoaldo Silva


