Esportistas consagrados
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João do Pulo (1954 - 1999)
João Carlos de Oliveira nasceu em 18 de maio de 1954, em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, filho de Paulo e Maria de Oliveira, e sonhava ser jogador de futebol. Para a sorte da história esportiva brasileira, ficou só no sonho. João virou do Pulo 21 anos depois, quando voou na Cidade do México e cravou 17,89m na disputa do salto triplo dos Jogos Pan-Americanos: recorde mundial de uma das provas do atletismo que demorou quase uma década para ser quebrado.
- Lenda do atletismo brasileiro, João do Pulo, bateu recordes que demoraram quase uma década para serem ultrapassados
A história do mais fenomenal salto da vida de João é impressionante. O brasileiro superou a marca anterior, que pertencia desde 1972 ao soviético Vitor Saneyev, em quase meio metro de distância, ou exatamente 45 centímetros. A marca pegou os presentes no Estádio Olímpico do México de surpresa, e virou lenda no Brasil. O jornal "O Estado de S. Paulo", por exemplo, publicou em uma página inteira um perfil do ídolo, com os dizeres: "O salto histórico. Agora, o orgulho de muitos".
João foi o primeiro negro a competir pelo clube paulistano Pinheiros, não sem antes trabalhar como frentista de posto de gasolina e até sargento do exército. Isso, só até brigar por um lugar no time brasileiro que disputaria o Sul-Americano Juvenil de atletismo, no Paraguai. Lá, seria soberano contra todos os rivais, ganharia o ouro inédito e seria convidado pelo São Paulo, um trampolim até sua ida ao Pinheiros.
Dois anos antes de bater o histórico recorde mundial em solo mexicano, João - que ainda não era do Pulo - quebrou sua primeira marca planetária em torneio júnior de salto triplo, durante competição válida pelo Sul-Americano. Tudo isso seria apenas treino para a consagração na Cidade do México, em 1975, onde o brasileiro celebrou duas medalhas douradas (foi ouro também no salto em distância).
A sorte, entretanto, não lhe acompanharia no ano seguinte, em Montreal. Favorito para o ouro olímpico, ficou apenas com o bronze, que teve sabor decepcionante pela fama adquirida pelo atleta. Daria a volta por cima no Pan de San Juan, em 1979, com duas novas condecorações de primeiro lugar: ambas novamente obtidas no salto triplo e salto em distância. Voltou a uma Olimpíada em 80, na gelada Moscou, e de novo ficou com o terceiro posto, vencendo o bronze no salto triplo. Uma ironia para o homem que ainda detinha o recorde mundial da modalidade.
A partir daí, a carreira - e a vida - de João do Pulo dariam uma reviravolta trágica. Retornando a São Paulo de uma formatura em Campinas pela via Anhanguera, o carro do atleta se chocou com o de um operário na contramão, que morreu na hora. João, por sua vez, encerrou definitivamente a carreira de forma precoce, aos 27 anos: o infortúnio lhe obrigou a amputar a perna direta.
Com novos objetivos, se formou em Educação Física e foi eleito deputado estadual em 86 - acabou reeleito quatro anos depois. Lutou pelos direitos dos deficientes físicos, tinha uma padaria e uma transportadora, mas faliu e não conseguiu mais voltar à Assembleia. Passou a beber, teve depressão e acabou internado em São Paulo, com broncopneumonia e hepatite. Ele faleceu no dia 29 de abril de 1999.
Fontes:
Federação Internacional de Atletismo (conteúdo em inglês)
Comitê Olímpico Brasileiro


