Esportistas consagrados
Relacionados
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Maria Lenk (1915 - 2007)
O nome Maria Emma Hulda Lenk Zigler deixa bem claro que a maior nadadora da história do Brasil não era exatamente uma brasileira por completo. Mas quem honrou tanto o país na natação quanto ela, filha de alemães? Desde que nasceu paulistana, em 15 de janeiro de 1915, Maria tinha dentro de casa o exemplo do esporte. Paul, seu pai, chegou ao Brasil em 1912 e era ginasta alemão.
A herança foi quase natural, mas Maria Lenk só virou nadadora porque tinha pneumonia em seus pulmões. A exemplo de várias crianças que partem para piscina para cuidar de problemas respiratórios, Maria se jogou na água e por lá viveu até os 92 anos. Mas ela não queria apenas viver, e decidiu também escrever seu nome entre os maiores.
Meio brasileira, Maria, meio alemã, Lenk, começou tudo isso de verdade em 1932. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, competiu com um maiô de lã, emprestado, e também emprestou seu nome à história. Foi a primeira mulher sul-americana na galeria de atletas olímpicos, e competiu nos 100m livres, 100m costas e 200m peito – nesta, chegou às semifinais, seu melhor resultado.
Mas não foi só isso que deu à Maria Lenk o direito de batizar um moderno Parque Aquático construído no Rio de Janeiro, em 2007, e a principal competição de natação do país. Nos Jogos de Berlim, em 36, chamou a atenção de todo o planeta com seu nado peito que mesclava técnicas de um até então incipiente nado borboleta. A novidade ajudou na ascensão do estilo, que viraria olímpico exatamente duas décadas depois, após a Segunda Guerra Mundial.
Este evento histórico, a propósito, impediu um possível pódio olímpico de Maria Lenk. No Rio de Janeiro, em 1939, ela havia quebrado dois recordes mundiais, dos 200 e dos 400m peito, e chegaria aos Jogos de Tóquio, no ano seguinte, para conquistar medalhas olímpicas pela primeira vez. Mas a exemplo do que ocorreu com a Copa do Mundo de futebol no período, a Olimpíada do Japão foi cancelada. As mulheres brasileiras só foram conseguir uma medalha individual em 2008, com Maurren Maggi, em Pequim.
Os esportes aquáticos no Brasil devem muito à Maria Lenk não só por seus resultados. Em 1943, ela organizou no Rio de Janeiro a primeira mostra de balé aquático, o que ocasionou pouco tempo depois a formação da primeira equipe brasileira de nado sincronizado. Aposentada aos 27 anos, ela continuou sendo campeã: nadadora da categoria master, Lenk conquistou cinco medalhas de ouro em Munique, na Alemanha, em 2000. Tinha 85 anos.
Dona de personalidade forte e politicamente engajada a seus ideais, escreveu o livro Longevidade e Esporte, publicado em 2003. A ideia era mostrar o quanto a prática esportiva pode dar ganhos à saúde e prolongar a vida. Maria Lenk, que nadava em um ainda limpo rio Tietê, em São Paulo, durante a infância, praticou natação até seus últimos momentos de vida. Em 16 de abril de 2007, aos 92 anos, morreu por parada cardiorrespiratória. Havia acabado de deixar a piscina do Clube de Regatas Flamengo.
Fontes:
Comitê Olímpico Brasileiro
Federação Internacional de Natação


