Esportistas consagrados
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Odair Santos (1981)
Natural de Oswaldo Cruz, no interior de São Paulo, Odair Ferreira dos Santos é um dos mais importantes fundistas paraolímpicos do Brasil. Ao todo são sete medalhas nas três participações em Jogos Paralímpicos: prata nos 1.500m nas Paralimpíadas de Londres-2012; três bronzes nos 800m, 5.000m e 10.000m nas Paralimpíadas de Pequim-2008; duas pratas nos 1.500m e 5.000m, e bronze nos 800m nas Paralimpíadas de Atenas-2004.
- Odair Santos (à esquerda) e seu guia Carlos Santos recebem medalha de prata nos Jogos de Londres 2012
Desde criança, quando observava a paixão do tio Valdivino Ferreira dos Santos pela corrida de rua, Odair já se interessava pelo esporte. Ao mudar-se para Adamantina (SP), teve a oportunidade de praticar o atletismo pela primeira vez na escola. “Eu estava no segundo ano do ensino fundamental quando um professor de educação física passou de classe em classe nos chamando para participar de uma gincana. O atletismo era uma das modalidades esportivas, e eu logo me inscrevi e comecei a treinar”, conta ele.
Nascido com retinose pigmentar, doença genética e progressiva que afeta a retina e o nervo óptico, Odair só começou a perceber os sintomas após os nove anos de idade, e mesmo assim eram quase imperceptíveis. Ele tomou gosto pelo esporte, e dos 10 aos 17 treinou sempre que pode, participando de corridas de rua e de pista.
Aos 13 mudou-se para Limeira (SP), cidade onde mora até hoje. “Eu venho de uma família bem humilde e o atletismo não estava me dando nenhum tipo de rendimento, e aí tive que optar. Ou continuava treinando ou tentava ajudar a minha família de alguma forma. Fiquei cinco anos afastados, dos 17 aos 22”, lembra o atleta.
Durante este tempo, trabalhou em uma empresa de embalagens e entregou marmitas. A doença já dava sinais de que estava avançando. Nesta época, a visita de uma amiga da família lhe deu esperanças para voltar às pistas. “Ela me incentivou a procurar uma escola de braile para conseguir voltar ao mercado. Assim eu encontrei a escola João Fischer em Limeira, que além do braile oferecia atividades adaptadas para deficientes, entre elas o atletismo”, diz.
Outro incentivo para voltar ao esporte foi um antigo desejo: o de viajar de avião. “O Fabio Breda, meu professor na época e atual técnico, me falou que teríamos competições fora do País. Se conseguisse os índices para participar, teria a chance de realizar meu sonho”, conta.
Em 2003, com apenas cinco meses de treinamento, ele não só alcançou os tempos necessários para três provas do Parapan-Americano de Mar Del Plata-2003, na Argentina, como trouxe para casa três medalhas de ouro: nos 400m, 800m e 1.500m na classe T12 (baixa visão). “Foi a minha primeira participação na seleção brasileira. Viajar de avião foi fantástico e voltar daquela competição com medalhas foi emocionante”, recorda.
A doença de Odair, por ser progressiva, avançou. Nos Jogos Paralímpicos de 2008 (Pequim) ele começou a correr com a ajuda de um guia, que na classe T12 é opcional. Em 2010 ele mudou para a classe T11 (cego total), e mesmo com a necessidade de adaptação, em janeiro de 2011 quebrou o recorde mundial dos 1.500m no Mundial de Atletismo de Christchurch, na Nova Zelândia. Nos Jogos Paralímpicos de Londres-2012, Odair chegou perto de conquistar seu primeiro ouro em Paraolimpíadas, mas foi surpreendido no final da corrida de 1.500m pelo queniano Samuel Kimani, e acabou ficando com a prata.
Além de se sentir orgulhoso das conquistas, o atleta lembra com carinho da sensação de fazer diferença no esporte. “Hoje eu tenho um reconhecimento muito maior do que quando comecei. Meus adversários já me procuram, perguntam para as pessoas se vou participar de tal competição, se estou bem fisicamente. É legal saber disso porque vejo que se eles estão preocupados, deve ser porque estou incomodando”, ri. Para Odair, agora o foco é a Paralimpíada do Rio, em 2016.
Fonte:
Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)


