Modalidades
Boxe
O boxe é uma modalidade que tem vivido altos e baixos durante toda a sua história no Brasil. Desde o início de sua prática no Brasil, no começo do século passado, os praticantes e admiradores do esporte conviveram com preconceito, proibições, surgimento de ídolos, ostracismo e também voltas por cima.
A modalidade demorou a cair no gosto do brasileiro. Desconhecida da maioria da população no início dos anos 1900, o boxe era ligado à marginalidade por ser associado aos praticantes de capoeira e por marinheiros que atracavam nos portos de Santos e do Rio de Janeiro. A situação só começou a mudar na década de 1920 quando um sobrinho do então presidente Rodrigues Alves assistiu a uma exibição e se encantou com a luta.
A primeira baixa do esporte aconteceu em 1924. Ditão, apelido de Benedito dos Santos, despontava como um grande boxeador quando em sua primeira luta internacional foi duramente golpeado e sofreu um derrame cerebral. A prática passou a ser proibida em São Paulo e por muito tempo houve receio de se promover lutas internacionais no País.
Mas aos poucos o boxe conseguiu se levantar. A proibição não durou muito e logo no ano seguinte o boxe voltou a ser praticado. Por volta de 1940 a modalidade viu surgir seu primeiro astro, Zumbanão (Antonio Zumabano), e seu primeiro palco, o ginásio do Pacaembu. Com 140 lutas no cartel, mais da metade ganhas por nocaute, o pugilista foi o grande nome do boxe brasileiro até a chegada de Éder Jofre.
Nos anos 1960, o boxe atingiu sua época de ouro. No boxe amador, Servilio de Oliveira conquistaria a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1968, no México. Já no profissional, Éder Jofre passou a figurar entre os melhores do mundo e assegurar o cinturão de campeão do peso galo das associações americana e europeia de boxe. Foram sete defesas do título unificado até a perda para o japonês Masahiko Harada. Em toda a sua carreira, Jofre realizou 78 lutas e perdeu apenas duas vezes.
Depois de uma década em que o boxe viu as aposentadorias de Éder Jofre, Servilio de Oliveira e Miguel de Oliveira e passou sofrer com a popularização do futebol, a modalidade só conseguiu voltar aos holofotes com um dos ícones midiáticos do País: Adilson Rodrigues, o Maguila. O carismático pugilista da década de 1980 chegou a ficar próximo de disputar o título contra o norte-americano Mike Tyson, mas derrotas para Evander Holyfield e George Foreman (ambos também dos Estados Unidos) não só lhe tiraram a oportunidade como fizeram com que ele caísse de produção e o boxe voltasse à lona mais uma vez.
Nos últimos anos, o boxe brasileiro tem ensaiado mais uma volta por cima. No fim da década de 1990 e inícios dos anos 2000, Acelino Freitas, o Popó. Quatro vezes campeão do mundo do boxe profissional (nas categorias super penas e peso pena) e medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1995, ele foi um dos responsáveis por mais uma vez colocar o boxe brasileiro em destaque nas páginas dos jornais e na televisão.
Nos últimos anos, o boxe brasileiro amador tem conseguido bons resultados internacionais. Roseli Feitosa e Everton Lopes, por exemplo, se tornaram os primeiros brasileiros campeões mundiais do boxe amador, em 2010 e 2011, respectivamente.
O maior feito desta geração veio em 2012 durante as Olimpíadas em Londres. Depois de um longo período sem conquistas, três pugilistas brasileiros subiram ao pódio e entraram para a história do esporte: os irmãos Esquiva (prata) e Yamaguchi Falcão (bronze) e a boxeadora Adriana Araújo (bronze). Três medalhas que trouxeram o boxe, mais uma vez, ao holofote.
Saiba mais
Existem quatro associações que regem o boxe profissional: Associação Mundial de Boxe (AMB), Conselho Mundial de Boxe (CMB), Federação Internacional de Boxe (FIB) e Organização Mundial do Boxe (OMB). Cada uma delas conta com seus campeões mundiais.
Os praticantes de boxe amador são os representantes dos países nos Jogos Olímpicos e Pan-Americanos, além do mundial da categoria. Atletas profissionais não podem se tornar amadores para defender o país em uma Olimpíada, por exemplo.
As categorias e sistema de disputa também são diferentes entre o boxe profissional e o amador. No segundo, por exemplo, os boxeadores vestem proteção na cabeça, são apenas três rounds de disputa, o sistema de pontuação é eletrônico e são cinco os juízes que julgam a partida. No profissional, não há equipamento de proteção, são 12 os rounds necessários para se definir o vencedor (se não houver nocaute) e cinco juízes fazem a pontuação manualmente.
Fontes:
Confederação Brasileira de Boxe
Comitê Olímpico Brasileiro


