Saúde da mulher
Tratamentos
Os tratamentos dos cânceres de mama e de colo de útero podem se estender por mais ou menos tempo dependendo da extensão da doença. Segundo a pesquisadora e diretora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Pilaz Estevez, para definir o tratamento a ser seguido é preciso antes saber em que estágio a doença está.
- Após a detecção da doença, o paciente é submetido a exames de imagem como ultrassom e radiografia
Chamado de estadiamento, esse procedimento é usado para identificar o grau de avanço da doença de qualquer tipo de câncer. No caso da mama e do colo do útero, após a detecção da doença, o paciente é submetido a exames de imagem como ultrassom, radiografia, tumografia computadorizada. Os resultados definem o tamanho do tumor e se ele invadiu outros órgãos próximos, ou ainda se sofreu metástase. Em alguns casos de câncer de colo de útero, a própria cirurgia para retirada do tumor ajuda a dar a dimensão da doença.
De forma geral, pode-se definir quatro graus de gravidade dos cânceres em geral: graus 1 e 2, quando o tumor ainda é localizado, grau 3, quando o tumor é invasivo, e 4, quando há metástase.
Câncer de mama
Para o câncer de mama, conforme explica Estevez, do ICESP, costumam haver dois blocos de tratamento. A cirurgia, na maioria das vezes, é o primeiro passo. Ela pode ser parcial – quadrantectomia, quando é retirada apenas uma pequena parte da mama – ou total – mastectomia.
De acordo com o oncologista clínico do Hospital Albert Einstein, Sérgio D. Simon, em raras situações é feito tratamento quimioterápico antes da cirurgia. Isso só acontece quando o tumor é considerado muito grande, e esse tratamento prévio seria uma forma de fazer o câncer regredir para que a cirurgia ser menos agressiva. O acompanhamento de um cirurgião plástico durante qualquer tipo de operação é hoje um procedimento comum, para que haja a imediata reconstrução da mama.
A segunda parte do tratamento consiste em radioterapia e quimioterapia. A primeira é a aplicação de radiação na área atingida pela doença. Já a segunda é um tratamento endovenoso com aplicação de que compostos químicos que eliminam células cancerosas. “É uma garantia de que não vai sobrar nenhuma célula cancerosa, já que na cirurgia é retirada somente a parte visível do tumor”, explica Estevez, do ICESP. Para quem apresenta o estágio 4, o mais grave, o tratamento serve para melhorar a qualidade de vida do paciente.
A combinação de medicamentos a ser usada e a freqüência com que será aplicado o tratamento quimioterápico variam caso a caso. As fortes reações ao tratamento, contudo, atingem quase todos os pacientes. É por esta fase que passa a secretária Silvana Dias, de 46 anos, moradora de São Paulo. Ela descobriu o tumor por acaso, quando apalpou a mama. “Levei alguns meses para tomar coragem e ir ao médico”, diz.
Constatado o câncer, Silvana passou por quadrantectomia (retirada de parte da mama) e hoje se dedica à quimioterapia, que é, segundo ela, o maior desafio do tratamento. “Assim que começa já fico tonta e com enjôos. Fora isso, meu cabelo caiu, e hoje uso peruca”, conta. “A cirurgia foi simples. Acho que o mais complicado é a quimio”.
Há ainda um outro tipo de tratamento indicado em alguns casos: é a hormonioterapia. Este procedimento inibe a expansão do câncer por meio da retirada do estrogênio, hormônio feminino responsável pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais. O objetivo é reduzir a chance de recidiva da doença.
Colo do útero
Assim como no câncer de mama, o tratamento do câncer de colo de útero também recorre às cirurgias e a tratamentos quimioterápicos e radioterápicos. Conforme explica Simon, do Hospital Albert Einstein, caso o tumor seja muito localizado, é possível realizar uma pequena cirurgia chamada de conização, na qual o útero é mantido, e a paciente pode futuramente engravidar e ter filhos. Caso o tumor tenha atingido outras regiões do útero, como o paramétrio, é necessário recorrer a um procedimento maior, chamado de histerectomia, quando ocorre a retirada do órgão.
A fase a seguir é a radioterapia e a quimioterapia. Alguns pacientes se submetem aos dois tratamentos, outros fazem apenas um deles. “Tudo tem que ser avaliado caso a caso”, diz Estevez, ICESP. O importante, de acordo com a pesquisadora, é lembrar que, quando descobertos em estágio inicial, o câncer de mama e de colo de útero podem preservar a paciente de um tratamento mais desgastante, e ainda aumentam a capacidade de cura. “As chances de cura são altíssimas quando o paciente ainda está nos estádios 1 ou 2, mas caem conforme a doença é diagnosticada mais avançada”.
Fontes:
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)



