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Ipea afirma que aeroportos brasileiros operam no limite

por Portal Brasil publicado: 31/05/2010 19h41 última modificação: 28/07/2014 11h57

De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os aeroportos brasileiros não estão dando conta da demanda dos serviços de aviação civil. Segundo a pesquisa “Panorama e Perspectivas para o Transporte Aéreo no Brasil e no Mundo”, a situação pode piorar, já que a previsão é de que o mercado doméstico aumente pelo menos três vezes nos próximos 20 anos, caso o Produto Interno Bruto (PIB) cresça num ritmo de 3,5% ao ano. O estudo foi divulgado nessa segunda-feira (31).

O trabalho, que faz parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro, aponta o Brasil como o país de maior potencial de desenvolvimento na área de transporte aéreo entre os emergentes. Para o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos, apesar de a América Latina ter pequena expressão neste mercado, a região é a que tem registrado as maiores taxas de crescimento nesse tipo de transporte.

“Os maiores aeroportos já estão operando no limite. Parte disso se deve aos preços mais acessíveis e ao crescimento da economia brasileira. Há também a influência da complexidade industrial, que está promovendo um crescimento recorde do transporte de mercadorias, tanto no âmbito interno como externo”, disse o pesquisador.

Segundo Josef Barat, consultor do Ipea para a pesquisa, 97% de toda a movimentação de passageiros e cargas passam necessariamente pelos 67 aeroportos administrados pela Infraero. De acordo com o estudo, nenhum dos dez aeroportos pesquisados tem capacidade para dar conta dos pedidos de pousos e decolagens nos horários de pico. Todos eles estão localizados em cidades que provavelmente sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

“Veja a situação em São Paulo. Guarulhos, por exemplo, tem capacidade máxima de fazer 53 operações por hora. No horário de pico a demanda é de 65 pedidos de pousos e decolagens. Em Congonhas a capacidade é de 24, enquanto a demanda é de 34. O aeroporto de Brasília tem capacidade para operar 36 voos por hora, mas possui uma demanda [em horário de pico] de 45 pedidos”, disse.

Em Manaus, a relação tráfego real e capacidade operativa é de 17 para 9. Uma diferença que chega a quase 100%. No aeroporto de Porto Alegre essa relação fica em 14 (capacidade por hora) para 20 (número de solicitações de pousos e decolagens).

“Claro que se não forem feitos investimentos adequados o País corre risco de não dar conta e enfrentar um apagão”, avalia Barat. “Os aeroportos deveriam se preparar para receber mais passageiros e aviões mais modernos com uma antecedência de 40 anos”, acrescenta.

Para Barat, os gargalos de infraestruturas aeroportuária e aeronáutica, além da escassez de recursos humanos qualificados em diversos segmentos e a elevada carga tributária do País são fatores restritivos à expansão do sistema aéreo brasileiro.

Fonte:
Agência Brasil

 

 

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