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FGV: turista que virá ao Brasil para Copa 2014 será mão-aberta e exigente

por Portal Brasil publicado: 31/08/2010 16h23 última modificação: 28/07/2014 11h56
Exibir carrossel de imagens Divulgação/Ministério do Turismo

O torcedor de qualquer copa do mundo é em geral jovem, solteiro, tem curso superior e gosta de circular, conhecer de três a quatro destinos diferentes – além da cidade-sede dos jogos de seu time. Tem interesse por turismo ecológico e de aventura, é muito exigente e pode gastar, em média, R$ 11,4 mil nas quase 18 noites que costuma ficar no país.
 

Portanto, o turista que virá à Copa do Mundo de Futebol de 2014 deverá gastar aproximadamente R$ 11 mil. A média do turista comum é de R$ 200 por dia. É o que indica uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendada pelo Ministério do Turismo.
 

O perfil desse turista, exigente e com alto poder aquisitivo, foi traçado durante o mundial de futebol na África do Sul, entre os dias 12 de junho e 2 de julho passado. O estudo vai servir como subsídio para ajudar na preparação do Brasil para a Copa de 2014.



Foram realizadas, ao todo, 4.837 entrevistas com pessoas de 69 países, atraídas à África do Sul exclusivamente pela competição. A maior parte da amostra é formada por europeus, norte americanos e sul-americanos.
 

Para saber mais sobre o levantamento – e como ele poderá ajudar o País a se preparar para a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 – o Portal Brasil entrevistou, com exclusividade, o secretário de Políticas do Turismo, Carlos Silva, do Ministério do Turismo. Para ele, os dados da pesquisa poderão ajudar os gestores público a desenvolverem políticas mais adequadas a esses eventos desportivos de grande porte.

Clique aqui para ouvir o áudio da matéria.
 
Portal Brasil - Como a pesquisa realizada na África do Sul pode ser útil para o caso brasileiro?
 

Carlos Silva - Nós realizamos essa pesquisa por que era uma oportunidade única de conhecermos o hábito de consumo do turista que vai à Copa do Mundo. Entrevistamos 4.837 turistas da América, da Europa, da África, da Oceania e Ásia. A importância disso é saber quem é o turista que acompanha uma copa e como é que ele se comporta. O que ele procura, além do jogo. Qual é o hábito dele.
 
Agora nós sabemos que ele é, em sua maioria, jovem e de alto poder aquisitivo. Procura, além dos jogos, fazer turismos em outras cidades. Isso foi para nós uma surpresa. A pesquisa revelou que ele visitou uma média de quatro cidades na África.

Isso mostra que estávamos certos. Tínhamos a sensação de que deveríamos não só preparar a cidades-sedes, mas outros destinos turísticos, porque este é um tipo de turista que circula durante a copa.

Então, isso fortalece e confirma a política que estamos colocando em prática, de fortalecer outros 65 destinos. São destinos prioritários, que temos trabalhado aqui no Brasil.

Nós sabemos que ele tem um alto gasto, com média de cerca de R$ 11 mil em toda sua estada (18 dias). É um turista que nos interessa. A média do turista comum é de R$ 200 por dia.
 

PB - Como o Brasil deve se preparar para este turista de alta renda?
 

CS - Nós trabalhamos aqui, no Ministério do Turismo, com quatro eixos prioritários. O primeiro deles é a divulgação e promoção do País no exterior. Começamos a fazer isso desde a Casa Brasil. Essa pesquisa ajuda a Embratur a ter uma linguagem correta para esse público.
 
Nós sabemos que temos que promover outros destinos, outros recantos, porque a maioria desses turistas conhece Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. São os principais pontos de referências do País. Cerca de 25% desses turistas já visitou o Brasil.
 
O que eles procuram? Aproximadamente 36% deles têm interesse no seguimento esportivo e 17% vêm em busca do ecoturismo. Outros 20% têm interesse em aventuras, que é ainda uma coisa nova. O Brasil tem se qualificado nesse setor.
 
Por isso é importante promover outros destinos no Brasil e não apenas o Rio de Janeiro, com sol e praia. O turista quer montanha para fazer escalada, talvez fazer um passeio nas dunas de Natal, conhecer o Amazonas, se hospedar em um hotel de selva. Então existe essa  necessidade de prepararmos esses destinos, mas precisa ter qualidade. Temos consciência de que devemos investir em qualificação profissional. Afinal, a pesquisa aponta um turista de alto poder aquisitivo e exigente.
 
Cerca 90% se hospeda em hotéis. Então nós temos que estar com a rede hoteleira preparada. Restaurantes, bares, casas noturnas e etc. Tem um dado interessante: quase a totalidade dos gastos desses turistas é com transportes, hospedagem e alimentação. Por isso, estamos com programas de qualificação profissional em andamento, como os de inglês e espanhol – para camareiras, recepcionistas, garçons. São as pessoas que estarão na linha de frente, que vão receber os turistas.
 

PB – E quanto à mobilidade urbana?
 

CS - Sabemos que esse turista precisa circular aqui dentro, pois a pesquisa indica que ele não fica apenas na cidade onde o time dele joga. E, para isso, o País está preparando a infraestrutura de mobilidade urbana, como o sistema de transportes, por exemplo.

 
PB – E quanto às críticas de que megaeventos esportivos, como esses, trazem mais prejuízos do que benefícios?
 

CS – Dizer que um país não tem benefício com uma Copa do Mundo é desconhecer a realidade desse evento. Vamos pegar o exemplo da África. O que se agregou de valor para a imagem da África do Sul e para o Continente Africano a realização daquele evento com sucesso? Imagine um país com 15 anos de democracia conseguir organizar o maior evento esportivo do planeta? É uma coisa que não dá para medir.

Isso, para a imagem e a promoção de um país, no que diz respeito ao turismo, é impagável. Jamais teríamos dinheiro para fazer uma promoção dessas, para dar uma visibilidade dessas ao Brasil, sem a ajuda desses grandes eventos.

Há ganhos com os investimentos que vão permanecer, como o plano de mobilidade urbana já em andamento no País. Isso vai ficar para a população, é um legado. Não é para a copa apenas. As pessoas vão poder pegar metrô, trens, ônibus novos, em corredores, aeroportos, portos.

Pretendemos aumentar o número de turistas de 5 milhões para 8 milhões até 2014. Então esses são alguns resultados positivos que a copa do mundo trás, não dá para desprezar esse ganho.

A população quer a copa, tem confiança de que o Brasil vai organizá-la bem. Isso para o orgulho do brasileiro, do País, é uma coisa boa. Consolida nossa posição no mundo, porque um país que organiza dois torneiros dessa magnitude (copa e olimpíadas), em um curto espaço de tempo, passa para o mundo uma imagem de capacidade.

Vamos ter a oportunidade de mostrar para o mundo que o Brasil é mais que samba, carnaval e futebol.

Fonte:
Portal Brasil

 

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