Turismo
Passagem da tocha olímpica marca festa junina de Mossoró
Rio 2016
A festa de celebração de pernoite da tocha olímpica, em Mossoró (RN), nesta segunda-feira (6), será marcada não apenas pelo revezamento da chama símbolo dos Jogos Olímpicos Rio 2016 pela cidade. O forrozeiro Dorgival Dantas vai encerrar a noite de atrações que incluem, além de shows com artistas locais, a encenação do Auto da Liberdade.
O espetáculo que marca a Festa da Liberdade, em 30 de setembro – data cívica que revive a libertação dos escravos em 1883, cinco anos antes da lei áurea – reúne artistas mossoroenses que representam quatro atos históricos da cidade: o motim das mulheres contra a ida dos maridos à guerra do Paraguai; a resistência ao bando de Lampião; o registro da primeira eleitora brasileira, em 1927; além da abolição da escravatura.
O caldeirão cultural de Mossoró se reflete nos festejos juninos. Multidões, calculadas pelos organizadores da festa em até 100 mil pessoas por noite, reúnem-se na Estação das Artes Eliseu Ventania (ícone da literatura de cordel), em shows com expoentes da música nacional e regional.
O pátio da antiga estação de trens, no centro da cidade, é o coração do Mossoró Cidade Junina, realizado nos últimos 20 anos. “Ilhas” de cultura espalhadas pelo centro da cidade abrigam eventos paralelos ao longo da programação junina.
Espetáculo
Uma das atrações da festa junina de Mossoró é o espetáculo que reúne 61 artistas, entre cangaceiros e resistentes, e revive a “chuva de balas” que caiu na cidade no dia 13 de junho de 1927, dia de santo Antônio, quando a população armada em oito trincheiras, incluindo igrejas, resistiu ao bando de Lampião. Restam, hoje, as marcas do tiroteio na capela de São Vicente, palco da encenação e um dos monumentos visitados pelos turistas.
Destacam-se, ainda, o Palácio da Resistência, sede da prefeitura, na época casa do então prefeito Rodolfo Fernandes, industrial do sal e herói da resistência. A própria estação de trens serviu de trincheira. Já o Memorial da Resistência deixa o turista por dentro do contexto econômico, social e cultural.
Uma visita ao Museu Histórico de Mossoró deixa o turista mais próximo do local que abriga o Panteão dos Abolicionistas. O local da libertação dos escravos também testemunhou o voto de Celina Guimarães Viana e, enquanto cadeia pública, recebeu o cangaceiro Jararaca, ferido no tiroteio da resistência à Lampião. Ele teria sido enterrado vivo no dia seguinte. O túmulo também é local de visita e até veneração no cemitério local.
Águas termais, praias, salinas, campos de petróleo e pomares de frutas irrigadas completam o cenário pelos arredores desse centro comercial e industrial, polo universitário, cultural e de turismo de negócio do sertão potiguar, localizado na metade do caminho entre Natal e Fortaleza.
Monumento especial
A tocha olímpica vai se despedir do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (7) com destino ao Ceará, mas ficará acesa em um monumento em formato de pira olímpica na cidade de Mossoró. A obra de arte é um presente do artista Guaraci, um dos condutores da tocha olímpica durante o revezamento da chama da Olimpíada pelo centro da cidade. Mossoró já exibe pelas ruas vários monumentos feitos pelo artista. As intervenções artísticas são feitas de sucata e ferro velho.
A escultura de nove metros de altura é formada por 12 hastes simbolizando as sacerdotisas da mitologia grega que conduziam o fogo olímpico. A pira terá uma chama permanente que será acesa com o fogo da tocha olímpica de passagem pela cidade e iluminará a cabeça de uma das personagens mais marcantes da história local. A mossoroense Celina Guimarães Viana liderou um movimento de mulheres e conseguiu primeiro título de eleitora do Brasil em 1927. A legislação brasileira só permitiu o voto feminino em 1934, mas em Mossoró as primeiras eleitoras já puderam votar nas eleições de 1928.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Turismo
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