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Cidadania e Justiça

Ativista iraniana visita Brasil e pede apoio contra apedrejamento de mulheres

por Portal Brasil publicado: 05/05/2011 21h15 última modificação: 28/07/2014 14h58

A porta-voz oficial do Comitê Internacional contra o Apedrejamento de Mulheres, a iraniana Mina Ahadi, quer que o Brasil assuma posição condenatória e aberta a respeito da prática de execução de pessoas por apedrejamento. A ativista foi recebida nesta quinta-feira (5) pela ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Mina Ahadi veio ao País para participar do 2º Fórum Democracia & Liberdade, realizado na última terça-feira (3), pelo Instituto Millenium, em São Paulo. Ela quer que o governo brasileiro critique abertamente o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pela pena de execução por apedrejamento, prática adotada pelo regime islâmico há 30 anos.

Atualmente, cerca de 25 pessoas (a maioria mulheres) podem ser executadas por meio de apedrejamento no Irã. O caso mais conhecido é o de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana acusada de adultério e participação na morte do marido.

Perguntada sobre a importância de um posicionamento brasileiro sobre a questão, uma vez que outros países do Ocidente já condenam essa forma de execução, Mina disse que o País tem um papel importante e diferenciado. Além disso, ela destacou o fato de o Brasil “ter um governo de esquerda”.

Na audiência, a ministra Maria do Rosário foi cautelosa: “conversamos sobre a importância de repudiarmos a pena de morte em todas as partes do mundo. Ela recebe de nossa parte total solidariedade à causa. Nós podemos avançar no diálogo para produzirmos respostas que possam salvar vidas”. 

A ministra explicou à ativista que o Brasil “tem posição constitucional” contra “ingerência” em outros países, mas frisou que o País está atento ao respeito aos direitos humanos no Irã. “O fato de o Brasil ter votado em favor da nomeação de um relator global para a investigação da situação dos direitos humanos no Irã já indica que nós temos uma atenção”, disse a ministra fazendo referência à decisão do governo em sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, ocorrida em março.

Durante o encontro, Maria do Rosário ressaltou que é preciso cuidado para que os Estados Unidos e a Europa não tenham sobre o Irã uma visão sem critério e de ocupação de território, como ocorreu, por exemplo, no Iraque. “Ocupação de território nunca deu fruto para direitos humanos no mundo”, salientou.

Na parte da tarde, Mina Ahadi foi recebida pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. A expectativa inicial da iraniana era ter uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff.


Fonte:
Agência Brasil

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