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Cidadania e Justiça

Dezessete integrantes de movimento marxista têm anistia reconhecida

por Portal Brasil publicado: 26/08/2011 09h04 última modificação: 28/07/2014 15h02


Dezessete militantes da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) tiveram seus pedidos de anistia reconhecidos pela Comissão da Anistia, com reparação econômica e moral. Os pedidos foram julgados após a solenidade de celebração de dez anos da comissão, realizada no salão negro do Ministério da Justiça, na quarta-feira (24). Essa foi a primeira sessão especial de julgamento com processos prioritariamente de militantes da Polop.

Receberam anistia: Maria Cristina Rodrigues, Leopoldo Nosek, José Antonio Gerheim, Paulo César Ribeiro, Alberto Junior, José Flavio  Pereira, Maria Cristina Rodrigues, Jaime Leis Santiago, Eliza Tieko Yonezo, Silvio Jablonski, Mauricio Frajman, Paulo César Gabriel, Victor Meyer Nascimento, Reinoldo Atem, Aderbal de Burgos, Nilton Rocha, Jurandir Garçoni, Cecília Garçoni,

Membro da Ação Popular e da Var-Palmares, Paulo César Ribeiro foi preso em 1971 e permaneceu incomunicável por quatro meses. Ribeiro recebeu o pedido formal de desculpas do Estado brasileiro pelo tempo em que esteve na prisão.

“É um prazer estar aqui depois de tantos anos de luta. Eu comecei na militância em Campos dos Goytacases e depois fui para o Rio [de Janeiro], onde na escola me filiei ao grêmio. As novas gerações carecem muito da história do que ocorreu no passado. Se não resgatarmos essa história, haverá uma lacuna”, alertou Ribeiro.

O casal Eliza Tieko Yonezo e Victor Meyer Nascimento, esse último já falecido, também teve seus processos apreciados. Victor viveu na clandestinidade de 1969 a 1977. Nesse período de seis anos e dois meses, foi reconhecido como alvo de perseguição por parte da comissão. Em 2001, Victor faleceu em decorrência de um câncer.

Eliza era aluna da Filosofia da Universidade Federal do Paraná. No dia 5 de agosto de 1970, foi presa e uma semana depois conseguiu liberdade provisória. Em 1972,  foi condenada a dois anos de prisão e até 1980 ficou na clandestinidade. Os nove anos e seis meses foram considerados períodos de perseguição. “Nós nos preocupamos com o resgate da memória. Vamos organizar um acervo da Polop. A mim me interessa saber a história de todos que estão aqui”, disse ela ao receber como aceito o seu pedido de anistia.

Reinoldo Atem morava em São Paulo quando foi preso de abril de 1972 a março de 1973. À época, era desenhista publicitário e trabalhava na empresa que fazia listas telefônicas para o estado. Reinoldo sofreu tortura, choque elétrico e foi submetido a pau de arara. Para Nilmário Miranda, colega de Reinoldo que prestou depoimento na sessão, ele agiu com muita firmeza e não admitia ceder às dinâmicas da opressão.

A jornalista Cecília Garçoni, ex-líder estudantil, foi presa durante a greve no ABC Paulista em 1979. As marcas daquele período ela pretende transformar em um documentário sobre tortura. “Hoje nossa grande batalha é fazer com que os torturadores sejam punidos. Eles estão em suas casas, recebem seus salários e vivem tranquilamente”.

Jaime Leis Santiago viveu na clandestinidade nos anos 1970. Ele trabalhou no setor estudantil e no setor operário da Polop. Usava o codinome de Luiz Carlos Rodrigues nesse período para não ser preso. Para ele, o pedido de anistia é uma conquista. “O julgamento é o reconhecimento de toda uma vida. Uma ditadura é algo terrível, só quem vive sabe os danos que causa”.

Organização

Em janeiro de 1961, um grupo de jovens revolucionários reuniu-se em Jundiaí (SP) para fundar a “Organização Revolucionária Marxista – Política Operária”. O ato foi o coroamento de uma série de debates e encontros entre quadros políticos e intelectuais que então militavam em pequenas organizações políticas ou se articulavam em torno de publicações marxistas.


Fonte:
Ministério da Justiça

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