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Cidadania e Justiça

Programa Água Doce leva mais água potável ao semiárido nordestino

por Portal Brasil publicado: 27/10/2011 10h53 última modificação: 28/07/2014 15h05

No início de 2012, as famílias do assentamento Patativa do Assaré vão poder beber água potável dessalinizada e produzir peixe na região semiárida pernambucana. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com a prefeitura de Ouricuri, as Embrapas Semiárido e Meio Ambiente e a Associação Técnico-Científica Ernesto Luiz de Oliveira Júnior (Atecel), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), iniciou nesta semana a instalação de uma Unidade Demonstrativa (UD) do Programa Água Doce na comunidade.

As equipes dos órgãos envolvidos no programa estão na região, desde terça-feira (25), para demarcar a área de dois hectares na qual será instalada a UD. Patativa do Assaré integra os 982.563,3 quilômetros quadrados (11% do total do território nacional) do Semiárido brasileiro, local de água escassa e salobra, com solo formado por rochas de cristalino, cuja rigidez muitas vezes impede a perfuração de poços para retirada do mineral e favorece a desertificação do solo. Situado a 200 km de Petrolina e a 12 km de Ouricuri, o assentamento vai abrigar uma UD completa, que deverá ficar pronta em três meses.

A coordenadora de convênios da prefeitura de Ouricuri, Valdenora Freire, disse que a UD do assentamento beneficiará uma comunidade que sofre para obter água potável. Segundo ela, na região há, ao todo, 22 assentamentos e uma população de 67 mil habitantes. “Lideranças de vários assentamentos vieram à prefeitura pedir ao governo para implantar UDs em suas comunidades”, informou.

 

Meta

A iniciativa, que faz parte do Programa Água para Todos do Plano Brasil Sem Miséria, assumiu a meta de aplicar a metodologia do programa na recuperação, implantação e gestão de 1.200 sistemas de dessalinização até 2014 e beneficiar, com isso, 500 mil pessoas, com investimentos de R$ 168 milhões.

Para cumprir a meta, novas unidades serão inauguradas a partir do próximo mês. Cinco estão prontas. A previsão é de que entrem em operação ainda este ano, para beneficiar mais de mil habitantes do Semiárido nordestino. Na comunidade Calumbi, com 500 habitantes e situada em Tauá, no Ceará, será inaugurada uma UD. Nos municípios paraibanos de Aroeiras e Sumé, mais duas: uma UD na comunidade de Cachoeira Grande e outra na de Tigre.

No Semiárido pernambucano, serão inauguradas mais duas UDs: uma na Agrovila 08 Dnocs e outra na comunidade de Atalho. As comunidades abrigam cerca de 500 habitantes e estão situadas, respectivamente, em Ibimirim e em Petrolina. Ao todo o governo investiu  R$ 600 mil na construção dessas cinco UDs. Foram financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com exceção da unidade da comunidade de Atalho, financiada pela Fundação Banco do Brasil.

 

Ouricuri

A unidade de Patativa do Assaré vai ocupar dois hectares de um espaço coletivo do assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e seu poço deverá produzir uma vazão de mais de cinco mil litros por hora. De acordo com o diretor do Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Renato Ferreira, o assentamento Patativa do Assaré é um dos poucos locais do Semiárido pernambucano com todas as condições previstas no Programa Água Doce para instalação de um sistema produtivo integrado completo.

“Além de apresentar todas as características exigidas, o poço do assentamento tem uma vazão acima do mínimo recomendado de dois mil litros por hora; qualidade química adequada do concentrado da dessalinização; solo com propriedades compatíveis com o sistema de irrigação da erva sal (textura, profundidade, relevo e declividade); disponibilidade de área para implantação do sistema (com titularidade pública); presença de exploração pecuária (caprinos e ovinos); e presença de comunidade com experiência cooperativa”, disse.

Segundo ele, as UDs são uma forma de gerar água potável, aumentar a segurança alimentar com a produção da tilápia e o aumento de renda com a engorda do gado ovino e caprino que será alimentado com a forrageira erva-sal - planta típica da Austrália introduzida no processo de dessalinização da água e preservação do solo.

 

Método

O sistema produtivo é formado por dois viveiros para criação de tilápia, um tanque para reciclagem do concentrado enriquecido em matéria orgânica (um hectare) e uma área irrigada para cultivo da erva-sal (um hectare), além de uma área para a fenação. A água subterrânea salina é captada de um poço tubular profundo e armazenada em um reservatório de água bruta. Em seguida passa pelo dessalinizador, que por meio da osmose inversa separa o sal da água que será potável.

Diferentemente do que ocorre comumente na região do Semiárido, em que a água é retirada dos poços e, depois de usada, lançada no solo sem nenhum tratamento e, com isso, favorecendo cada vez mais a salinização e a desertificação da região, o uso do dessalinizador faz o contrário: ele dessaliniza a água e recicla o rejeito produzido pelo sistema de abastecimento.

De acordo com o método, água salgada é usada como adubo e alimento e a dessalinizada é usada no consumo diário pela população e para irrigação. No processo, metade da água retirada é dessalinizada e armazenada em um reservatório de água potável e a outra metade se torna um concentrado salinizado que é enviado a tanques de criação de tilápia - peixe que se adapta com facilidade tanto à água doce como à água salgada. Periodicamente a água desses tanques é trocada e esse rejeito, em vez de ser lançado no solo, é enriquecido de matéria orgânica e aproveitado na agricultura.

 

Fonte:
Ministério do Meio Ambiente

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