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Cidadania e Justiça

Resgatados de condição de trabalho degradante recebem certificado de pedreiro na Arena Pantanal

por Portal Brasil publicado: 03/02/2012 21h02 última modificação: 28/07/2014 16h23

Nesta sexta-feira (3), trabalhadores que foram resgatados de trabalhos com condições análogas ao escravo receberam certificado profissionalizante na Arena Pantanal e poderão atuar como pedreiros. A ação inclui, além da capacitação, a reinserção no mercado de trabalho e o oferecimento de condições básicas, como abrigo e alimentação dentro do canteiro de obra.

“Essa ação é considerada pioneira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) porque, além de resgatar o trabalhador nessas condições, capacita o operário já dentro do mercado”, explica Simone Ponce, coordenadora de Comunicação e Responsabilidade Social do Consórcio Santa Bárbara - Mendes Júnior. Ao todo, 24 participantes foram alfabetizados pelo projeto.

Segundo a OIT, o trabalho análogo à escravidão é aquele exigido de uma pessoa sob ameaça de sanções e para o qual ela não se oferece espontaneamente. Além de estar relacionado a baixos salários e más condições de alojamento, inclui cerceamento da liberdade. Entre 1995 e 2010, 40 mil pessoas foram resgatadas dessa condição. A maior incidência está na pecuária e no setor sucroalcooleiro.

Nivaldo Inácio da Silva, 44, e Valdemiro José da Silva, 38, são primos e passaram pelos mesmos problemas trabalhistas e de condições de vida até chegar ao programa. Os dois foram levados por intermediários responsáveis pela contratação da mão de obra para uma plantação de algodão em uma fazenda a 100 km de Cuiabá (MT), onde recebiam R$ 8 por fila colhida.

“Eram quase três dias para retirar cada fila. E se não terminasse, não tinha pagamento”, diz Nivaldo. As condições em que os dois estavam alojados também eram precárias, outro fator que determina, segundo a OIT, o trabalho como análogo ao escravo. “A gente dormia no chão de umas casas abandonadas, sem luz ou água. A comida vinha em quentinhas sem proteção”, conta Valdemiro.

Acompanhamento individual

Como a maioria dos participantes do projeto nunca tinha frequentado a escola, a maior dificuldade foi na parte teórica do curso profissionalizante. “Nunca tinha trabalhado com uma realidade dessas, com uma dificuldade tão grande na parte teórica. Mas na prática eles mostraram vontade e deslancharam”, avalia Josué Gomes, professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

“Quando precisava explicar algo, não podia contar apenas com a apostila, tinha que recorrer a desenhos no quadro”, completa. Os operários, que hoje trabalham como ajudantes de pedreiro, passarão a meio-oficiais, com responsabilidades e salários maiores. “Como nunca tinham estudado, muitos não entendiam a importância de se qualificar. Mas com o estudo trazendo oportunidades e rendimentos maiores, viram que o caminho é esse”, diz Simone.

A coordenadora explica que vários problemas de saúde foram detectados nos exames admissionais e que os operários foram distribuídos levando em conta as limitações de cada um. “Espalhamos eles pela obra para não haver clima de favorecimento. Três tinham problemas sérios de coluna e se tornaram vigias”, explicou. Outros, com problemas de visão, receberam óculos para continuar nas aulas de alfabetização e capacitação.

Reinserção gradual

O maior desafio, segundo Simone, é a reinserção desses trabalhadores na sociedade. Além de não terem acesso a direitos básicos no trabalho, nunca tiveram conta em banco, acesso a entretenimento ou a atendimento médico. “É a primeira vez que estão tendo acesso ao crédito, por exemplo. Então é preciso orientá-los para que não se endividem demais ou gastem o salário em pouco tempo”, detalha.

“Antes a gente ficava dois ou três anos trabalhando para receber só o que comer e onde dormir, agora temos a oportunidade de juntar um dinheirinho, mandar para nossos parentes”, relata Nivaldo, que planeja os próximos passos na obra. “Estamos acostumados ao trabalho pesado, mas vejo o trabalho do marceneiro e do soldador e acho interessante. Podemos continuar estudando e chegar a trabalhar com isso”, afirma.

 

Fonte:
Portal da Copa

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