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Cidadania e Justiça

Defesa dos direitos humanos quer tirar do ar quadros apelativos da televisão

por Portal Brasil publicado: 25/05/2012 11h25 última modificação: 28/07/2014 16h20

O Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos entrou, na quinta-feira (24), com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) em que pede a retirada do ar dos quadros A Academia das Paniquetes e O Maior Arregão do Mundo, exibidos pelo programa Pânico, da emissora Band. Para o conselho, a atração da Band reproduz exemplos negativos para crianças e adolescentes, estimula a discriminação e constrange a figura feminina. A emissora informou por e-mail que não comentará a representação.

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Especialistas em comunicação advertem que programas exibidos pelas emissoras de televisão têm um efeito em cadeia na educação das crianças e adolescentes. Para eles, um programa que contenha cenas de violência e que exponha a figura feminina, por exemplo, deve ir ao ar em um horário no qual apenas adultos acompanhem a exibição. Também alertam sobre as ameaças de agravamento da violência e da discriminação por meio da banalização do chamado humor fácil.

Para a pós-doutora em cinema e televisão e professora da Universidade de Brasília (UnB), Tânia Montoro, o tipo de humor apresentado no programa incentiva a violência. “Esse tipo de humor de naturalização da violência simbólica contra o feminino presta um desserviço à população brasileira”, disse ao se referir ao programa Pânico. “Existe um conceito filosófico comprovando que as pessoas em formação imitam o que veem com frequência. O programa passa ensinamentos de discriminação e atos violentos”, completou.

Tânia Montoro disse ainda que é contrária a qualquer tipo de censura dos meios de comunicação. Mas advertiu: “a sociedade está cansada desse tipo de programa humorístico. O fato de ter audiência não significa em momento algum que formas grotescas possam ser incentivadas. Agredir as pessoas não é humor e, sim, violência.”

O jornalista e mestre em comunicação visual, Cláudio Ferreira, defendeu a revisão da chamada classificação indicativa do Pânico, assim como de seu conteúdo. “A primeira providência a ser tomada é reclassificar o programa. Essa mudança é um instrumento importante para preservar o público infantojuvenil de programas inadequados. É obrigação do Estado rever a classificação indicativa. Ao perceber que tem conteúdo inapropriado, deve-se mudar o horário de exibição.”

Para o professor, as autoridades e a sociedade devem exigir qualidade na programação de televisão.

“Temos várias formas de fazer pressão para que um programa como esse tenha boa qualidade, mas, com o humor, é um pouco mais difícil, porque às vezes perde-se o limite de respeito. Vivemos em uma sociedade com muitos problemas de educação. A televisão, além de ser um meio de comunicação, é um meio de instrução para as pessoas pois mostra o comportamento e pode influenciar nesse sentido”, disse ele.

 

Fonte:
Agência Brasil

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