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Cidadania e Justiça

Número de famílias sob responsabilidade exclusiva de mulheres aumentou 37,3%

por Portal Brasil publicado: 17/10/2012 17h17 última modificação: 28/07/2014 16h19
Divulgação/Prefeitura de Santos(SP) Percentual de cônjuges que optaram pelas uniões religiosas ou civis caiu de 49,4% para 42,9%

Percentual de cônjuges que optaram pelas uniões religiosas ou civis caiu de 49,4% para 42,9%

O dado foi apresentado pelo IBGE com base no Censo 2010. O estudo também revelou que uniões consensuais já representam mais de 35% dos casamentos no Brasil

O número de pessoas que moram juntas sem terem oficializado o casamento cresceu no Brasil nos últimos dez anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  As informações constam do cruzamento de dados feitos com base no Censo 2010 e revelam que, pela primeira vez, o contingente de pessoas vivendo em união conjugal supera a metade da população (50,1%).

Desse total, subiu de 28,6% para 36,4% o percentual de pessoas vivendo em uniões consensuais. Esse tipo de casamento é mais frequente nos grupos com rendimentos menores, representando 48,9% na classe com rendimento de até 1/2 salário mínimo. Diminuiu também de 49,4% para 42,9% a proporção de cônjuges que optaram pelas uniões religiosas ou civis, sendo maior a queda do casamento religioso.

Em dez anos, os casais formalizaram mais as separações. O percentual cresceu em 20%, passando de 11,9% para 14,6% , entre 2000 e 2010. Um dos fatores que explicam esse aumento, segundo a pesquisa, foi a facilidade na emissão do divórcio para casais sem filhos, a partir de 2007. A medida influenciou a escalada do número de divorciados de 1,7% para 3,1%. O número de pessoas separadas judicialmente caiu (2% para 1,7%).

Esse perfil se reflete nos estados civis: os solteiros continuam sendo mais da metade da população (55,3%), subindo 0,5 ponto percentual em relação a 2000 (54,8%). Os casados caíram de 37,0% para 34,8%. Já o percentual de divorciados quase dobrou, passando de 1,7%, em 2000, para 3,1% em 2010. O grupo de desquitados ou separados caiu de 1,9% para 1,7%.

Entre os casais unidos consensualmente, as mulheres são mais jovens e têm em média 23 anos, enquanto os homens, 26 anos. Assim como nas décadas passadas, eles buscam parceiras mais jovens, o que pode ser comprovado pelas taxas de casamento para aqueles acima de 50 anos, que são maiores (5,2%) dos que para as de mulheres na mesma idade (3,4%).

As uniões consensuais também estão relacionadas às condições econômicas precárias, desigualdades regionais e à cor ou raça. No Sudeste, onde há mais oportunidades de educação e de trabalho, a idade média do casamento é a maior: 24,8. Predomina ainda entre as pessoas pretas e pardas (46% e 42%), enquanto 51,9% dos brancos se casaram no civil ou no religioso. O número de pessoas que nunca se casaram diminuiu de 38,6% para 35,4% da população.

Casais do mesmo sexo

O Censo 2010 investigou ainda algumas características das uniões entre cônjuges do mesmo sexo. Em relação ao nível educacional, 25,8% das pessoas envolvidas em uniões com cônjuges do mesmo sexo declararam possuir superior completo. Em termos de opção religiosa, houve predominância de pessoas católicas (47,4%), seguida por pessoas sem religião (20,4%).

O estado civil preponderante foi o de solteiros (81,6%), e 99,6% viviam em união consensual. Mais da metade dessas uniões se encontrava na região Sudeste (52,6%).

Chefe de família

O aumento das famílias sob responsabilidade exclusiva das mulheres passou de 22,2%, em 2000, para 37,3% em 2010. Os dados estão na pesquisa Censo Demográfico 2010 - Famílias e domicílios - Resultados da Amostra.

Nos domicílios ocupados por apenas uma família, 34,5% tinha a responsabilidade de manutenção do lar compartilhada entre o casal, um total de 15,8 milhões de casas. Já nas famílias secundárias, que convivem com a principal, foi verificado que 53,5% são chefiadas somente por mulheres.

Outro dado divulgado nesta quarta-feira foi a verificação do aumento na proporção de unidades domésticas unipessoais (com apenas um morador), que passaram de 9,2%, em 2001, para 12,1% em 2010. A coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Saboia, explica que, em muitos casos, são de idosos. Pessoas que envelheceram, perderam o companheiro e acabaram morando sozinha ou por opção é o caso de 39,5% das mulheres e 10,4% dos homens. Entre os solteiros, a proporção sobe para 58,9% dos homens e cai para 38,7% das mulheres.

Formação familiar

Pela primeira vez, o Censo 2010 incluiu no questionário a pergunta sobre a situação dos filhos nas famílias. Foi verificado se o filho é do casal, apenas do responsável ou apenas do cônjuge, além de outras configurações. Essa nova classificação, chamada pelo IBGE de famílias reconstituídas, soma em torno de 16% do total de famílias brasileiras.

O Censo 2010 registrou 57 milhões de unidades domésticas. Desse total, quase 50 milhões eram habitadas por duas pessoas ou mais com parentesco. No entanto, a pesquisa mostrou que existem 4 milhões de unidades domésticas com famílias conviventes, proporção que subiu de 13,9%, em 2001, para 15,4%. Além disso, 91% dessas têm apenas dois núcleos familiares, mas 3,6 mil casas tinham cinco ou mais famílias.

Da ordem de 80% das famílias são nucleares, que são casais com filhos ou monoparentais, que é a mãe ou o pai com filhos. Além disso, 18% são famílias extensas, onde existem, além do núcleo principal, algum não parente. Somente 1,7% são de unidades compostas, onde há pessoas não parentes, como empregado doméstico e agregado. O número de casais sem filhos passou de 14,9%, em 2001, para 20,2% em 2010.

Casamento

Em relação às configurações das uniões conjugais no tocante à cor ou raça dos cônjuges, os dados do Censo Demográfico 2010 mostraram que 69,3% das pessoas de 10 anos ou mais estavam unidas a pessoas do mesmo grupo de cor ou raça, enquanto, em 2000, esse percentual era 70,9%. Esse comportamento foi mais forte dentre os grupos de brancos (74,5%), pardos (68,5%) e indígenas (65,0%). Já dentre os pretos (45,1%), observou-se que os homens tenderam a escolher mulheres pretas em menor percentual (39,9%) do que as mulheres pretas em relação a homens do mesmo grupo (50,3%).

No que se refere à escolaridade, 68,2% das pessoas uniram-se a outras de mesmo nível de instrução, percentual superior ao observado em 2000 (63,0%). Em 2010, 51,2% das mulheres com nível superior completo estavam unidas a homens desse mesmo grupo, enquanto somente 47,0% dos homens com esse nível de instrução estavam unidos a mulheres do mesmo grupo.

Fonte:

IBGE
Agência Brasil
Observatório Brasil da Igualdade de Gênero

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