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Cidadania e Justiça

Concurso premia ensaios sobre a vida e luta das afro-brasileiras

por Portal Brasil publicado: 23/04/2013 15h47 última modificação: 30/07/2014 00h51
EBC A integrante do Fórum de Mulheres Negras do Distrito Federal Jacira da Silva fala no Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFêmea) sobre a garantia de direitos ao público feminino

A integrante do Fórum de Mulheres Negras do Distrito Federal Jacira da Silva fala no Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFêmea) sobre a garantia de direitos ao público feminino

Concurso de redações e ensaios registrou 520 inscrições, de novembro de 2012 a janeiro de 2013; “Esse prêmio, para mim, foi uma resposta que eu precisava. Diante de todos os conflitos, ameaças e riscos que vivi, eu me questionei sobre que rumo seguir”, afirma ao Portal Brasil uma das vencedoras

 

A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) premiaram nesta terça-feira (23) as dez vencedoras do Prêmio Mulheres Negras Contam Sua História.

O concurso tem como objetivo fortalecer a inclusão social das mulheres negras por meio da reflexão sobre o seu papel na construção da história do Brasil. Em evento realizado na manhã desta terça-feira na sede da SPM, foram contempladas com R$ 10 mil as cinco candidatas selecionadas na categoria Ensaio, e com R$ 5 mil as escolhidas da categoria Redação. Um livro com as histórias vencedoras será publicado no segundo semestre. 

De acordo com a secretária de Avaliação Institucional e Ações Temáticas da SPM, Vera Soares, os trabalhos recebidos tocam na reflexão das vidas de desigualdades das mulheres negras. 

Ainda segundo Vera Soares, a iniciativa abriu espaço para que as brasileiras falassem do seu cotidiano, das relações familiares e das situações de violência em que muitas viveram e vivem, revelando muito sobre as manifestações de racismo no Brasil. 

“Acredito que mesmo nessa maneira tão sincera que elas escreveram seus textos, existe também uma forma de resistência. Esses trabalhos darão para nós muita inspiração de como enfrentar essa dimensão do racismo, em particular com as mulheres, no qual ela se reveste numa outra faceta, porque vem junto com a discriminação sexual e com a discriminação contra as mulheres”, disse Vera Soares ao Portal Brasil. 

O concurso recebeu, ao todo, 520 inscrições, entre redações e ensaios. Os textos foram enviados por mulheres autodeclaradas negras, contando as histórias e vidas desse grupo na construção do País. 

Creuza Maria de Oliveira foi uma das agraciadas por sua redação. Com o tema “Minha luta é para ver tornar-se real o sonho do trabalho doméstico decente”, ela narra a história de sua vida e como se tornou a Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos –FENATRAD. “Esse prêmio significou toda uma luta pela igualdade, não somente no trabalho doméstico, mas também de gênero e de raça. Por ser mulher, por ser negra, lutamos na federação pelo direito de escolher onde atuar e disputar no mercado de trabalho como iguais”, conta.

Aos 77 anos, a artista plástica, carnavalesca, pintora e desenhista Raquel Trindade de Souza também foi premiada por sua redação. Filha do poeta Solano Trindade, seu relato discute as dificuldades para estudar e os preconceitos que sofreu durante a vida. “O meu texto fala da discriminação racial que esteve presente na minha infância em Recife (PE), na minha juventude no Rio (RJ) e também em Embu (SP). Estou muito feliz de poder contar a minha história, que também teve muita coisa boa.”

 

Na categoria Ensaio, Cláudia Marques de Oliveira escolheu o tema “O risco de ser mulher negra: entre a emoção e a razão”. A autora de origem afro-indígena conta sua infância enquanto criança gorutubana da região de Janaúba (MG), e sobre o quilombo de Pimentel e Guardas do Congado que acompanharam sua vida, seus estudos e sua luta por uma sociedade sem racismo. “Esse prêmio, para mim, foi uma resposta que eu precisava. Diante de todos os conflitos, ameaças e riscos que vivi, eu me questionei sobre que rumo seguir. Depois de enviar o meu relato e ser premiada, entendi que não posso sair da luta, tenho que continuar”, conclui.

Já a trajetória da pedagoga Doris Regina Barros da Silva passa pelas dificuldades da infância pobre na Baixada Fluminense. O ensaio “Teias da Memória e Fios da História: laços e entrelaços” é parte de sua tese de mestrado, em que narra a busca pelo reconhecimento de sua própria afrobrasilidade. “À medida que eu fui me aprofundando na pesquisa e no conhecimento sobre a cultura africana e afrobrasileira, acabei fazendo todo o percurso de construção da minha identidade. Hoje sei que só o acesso ao conhecimento me permitiu me identificar nessa posição de uma mulher negra, que traz uma bagagem cultural riquíssima e que até então eu mesma não reconhecia.” 

Veja a relação de premiadas e os respectivos temas:

 

Categoria Redação:

 

Creuza Maria de Oliveira 

Título: Minha luta é para ver tornar-se real o sonho do trabalho doméstico decente

Eliana Aparecida da Silva Pintor

Título: O Direito ao Narcisismo

Glória Maria Gomes Chagas Sebaje

Título: O Bulling e a Criança Negra na Escola Pública, até quando?

Marisol Adelaide Correa (Marisol Kadiegi)

Título: Do luto à luta: a história de três continentes marcados pelo racismo

Raquel Trindade de Souza – a Kambinda

Título: Minha Infância 

 

Categoria Ensaio:

 

Claudenir de Souza

Título: O trabalho doméstico

Cláudia Marques de Oliveira

Título: O risco de ser mulher negra: entre a emoção e a razão

Doris Regina Barros da Silva

Título: Teias da Memória e Fios da História: laços e entrelaços

Patricia Lima Ferreira Santa Rosa

Título: Universidade Pública, sonho, direito ou pretensão?

Tássia do Nascimento

Título: Vozes-Mulheres

 

Fonte:

Secretaria de Políticas para Mulheres

 

 

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