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Cidadania e Justiça

Mulheres definem prioridades para desenvolvimento rural

Reforma agrária

Entre as propostas apresentadas, destacam-se metas como a criação de creches na zona rural e a ampliação do crédito
por Portal Brasil publicado: 15/10/2013 14h44 última modificação: 30/07/2014 01h04
Divulgação/Incra Ao todo, conferências estaduais reuniram mais de 1,5 mil mulheres e debateram 142 propostas

Ao todo, conferências estaduais reuniram mais de 1,5 mil mulheres e debateram 142 propostas

As representantes das mulheres do campo na 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS) se reuniram em plenária, nesta segunda-feira (14), a fim de debater as propostas que serão defendidas e traçar estratégias para o encontro. A plenária das delegadas fez parte das atividades que abriram a 2a. CNDRSS, que segue até quinta-feira (17), no Espaço Brasil 21, em Brasília.

Com batucada, cantos e palavras de ordem pedindo "50% de mulheres nos atendimentos de Ater", as delegadas convocaram as companheiras para o início da reunião. A proposta, que também estampava lenços e adesivos distribuídos às quase quinhentas delegadas que estiveram na plenária, ganhou destaque ainda na fase preparatória e chega a conferência como mote principal das trabalhadoras rurais.

A participação das mulheres na 2ª CNDRSS é marcada por um fato inédito e histórico para as lideranças e os movimentos das trabalhadoras rurais. Pela primeira vez no Brasil, uma conferência desta natureza terá garantida a paridade de gênero entre participantes.

A conquista foi destacada pelo secretário-executivo do MDA, Laudemir Müller, ao saudar as trabalhadoras durante a mesa de abertura. "Poder fazer esta conferência com paridade é algo muito importante para todos nós. Isto não começou agora e não termina agora, é uma trajetória de luta. Tive o orgulho e satisfação de participar deste processo com as companheiras. Tenho certeza de que vocês não querem que a gente faça apenas esta conferência com paridade, isto é muito importante, mas nós queremos um Plano de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário com paridade e equidade também. Queremos construir uma caminhada em que tenhamos paridade também em nossas políticas", afirmou.

Propostas

Nas Conferências Estaduais de Desenvolvimento Rural e na Conferência Nacional Setorial de Mulheres Rurais, cerca de 1,5 mil mulheres debateram mais de 142 propostas.

Nos encontros, além da paridade na Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), elas definiram como prioridades: 50% de mulheres rurais nos espaços de participação social; 30% de recursos das políticas públicas; creche no meio rural brasileiro; recreação infantil nas atividades coletivas de Ater; ampliação do acesso ao crédito para mulheres rurais; e identificação das mulheres na Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP).

Mesa de debate

Em suas falas, cada uma das integrantes da mesa apresentou e realçou um dos temas que serão defendidos na conferência. Foram abordados temas como: agroecologia, legislação sanitária, enfrentamento à violência, crédito e financiamento, participação social, reforma agrária e acesso à terra.

A diretora Karla Hora encerrou o debate convidando as delegadas para um ato em defesa das demandas prioritárias das mulheres rurais, programado para manhã desta terça-feira (15), antes do painel Planejamento do Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário. Durante o encontro, também foi anunciada a elaboração de uma declaração que será lida durante a Cerimônia do Dia Mundial da Alimentação, programada para quarta-feira (16). Enquanto for lida a declaração, as delegadas irão, uma a uma, colocar alimentos em um cesto no palco, representando a contribuição das mulheres na produção de alimentos.

A delegada Madalena Santana, que veio representando as mulheres de Sergipe, confessou estar muito animada para defender a igualdade no campo e todos os pontos trazidos pelas mulheres para a conferência. "É importante garantir às mulheres o seu verdadeiro papel e elevar a autoestima delas, reconhecendo direitos, combatendo o patriarcado, o machismo e a violência", defendeu. Madalena é assentada da Reforma Agrária, agricultora e faz parte do Movimento das Trabalhadoras Rurais do Nordeste.

A mesa contou também com a presença da assessora especial da secretária de Políticas para Mulheres Rurais da Presidência da República (SPM), Raimundinha Mescena; da diretora de Políticas para Mulheres Rurais do MDA, Karla Hora; da secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Alessandra Nunes; da representante do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste, Verônica Santana; da representante da Marcha Mundial das Mulheres, Conceição Dantas; da representante da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar, Lizete Maria Bernardes; da representante da Secretaria de Mulheres Extrativistas do Conselho Nacional de Seringueiros, Edel Moraes; da representante do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco de Babaçu, Maria do Rosário; da representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Olga Macuxi, da representante da Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas, Nilce dos Santos; da representante da Articulação Nacional de Agroecologia, Vanessa Sóts e da representante da Via Campesina, Vanderlúcia.

Fonte:

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

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