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Cidadania e Justiça

Publicidade de alimentos e infância é tema de evento

Consumo consciente

Assédio publicitário leva à compra de produtos que acarretam ganho de peso e o surgimento de uma série de doenças
por Portal Brasil publicado: 15/10/2013 12h43 última modificação: 30/07/2014 01h04

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), "as crianças de todas as regiões das Américas estão sujeitas à publicidade invasiva e implacável de alimentos de baixo ou nenhum valor nutricional". Esse assédio publicitário leva ao consumo de alimentos que só contribuem para o ganho de peso e o surgimento, cada vez mais cedo, de uma série de doenças. Isso sem mencionar o estímulo ao consumismo e ao materialismo.

Para debater o tema, a Rede Mobilizadores Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida (Coep) promove, a partir desta segunda-feira (14) e até sexta-feira (18), o fórum online "Publicidade de alimentos e infância". A atividade terá como facilitador João Lacerda, da Coordenação de Comunicação do Instituto Alana.

Recentemente, o Instituto Alana lançou, em parceria com a Andi Comunicação e Direitos, e a Lids (Harvard Law & International Development Society), da Universidade de Harvard, o livro "Publicidade de Alimentos e Crianças - Regulação no Brasil e no mundo".

Para subsidiar as discussões legislativas e formulações de políticas públicas no país, a publicação discute questões relativas à regulação da publicidade de alimentos na União Européia e em mais oito países: Brasil, Canadá, Austrália, Estados Unidos, Suécia, França, Alemanha e Reino Unido.

De acordo com o Instituto Alana, é fundamental a regulação da publicidade no país, especialmente quando dirigida a crianças - elas estão em fase de desenvolvimento psíquico, afetivo e cognitivo e, por isso, são mais vulneráveis aos apelos para o consumo.

"Hoje, apesar de todos os dispositivos constitucionais e legais que protegem a criança, não há uma legislação com regras claras e específicas para a publicidade que impacta o público de até 12 anos - seja por conter mensagens que despertam a identificação da criança, seja por estarem inseridas em meio à programação infantil", afirmam representantes do instituto.

As agências e anunciantes atuam apenas com base em um acordo de autorregulamentação, que não prioriza os interesses do cidadão e não protege a infância.

Uma resolução da Organização Mundial de Saúde (OMS), aprovada em maio de 2010, estimulou os governos dos Estados membros a restringirem a promoção e a publicidade de alimentos para crianças, definindo um objetivo claro para a política de redução da exposição infantil ao marketing de alimentos com alto teor de gordura, açúcar ou sal, visando diminuir os riscos para a saúde.

Segundo dados do Ibope, as crianças brasileiras ficam mais de cinco horas por dia em frente à televisão, o que demonstra o quão estão sujeitas à propaganda. De acordo com a Opas, "a constante publicidade de alimentos pobres em nutrientes e com alto teor de calorias em vários meios de comunicação influencia nas preferências alimentares e padrões de consumo das crianças. Isso enfraquece a eficácia do aconselhamento de pais e professores sobre bons hábitos alimentares e coloca as crianças em risco de obesidade e doenças relacionadas, por toda a vida".

A oficina virtual "Publicidade de alimentos e infância" acontece no site www.mobilizadores.org.br, no eixo Erradicação da Miséria. Para participar, basta estar inscrito na Rede Mobilizadores. O processo é simples, gratuito e rápido. A Rede Mobilizadores tem apoio do Banco do Brasil, Eletronuclear, Furnas, Fiocruz, Fundação Banco do Brasil e Itaipu. Mais informações: (21) 2528-3352 ou em www.mobilizadores.org.br.

Fonte:

Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional

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