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Cidadania e Justiça

Advogados asseguram desapropriação de fazenda em Goiás

Quilombolas

Fazenda Pastim será destinada a regularização do território dos remanescentes de quilombos Kalunga que ocupam as terras
por Portal Brasil publicado: 13/02/2014 12h59 última modificação: 30/07/2014 01h25

A Advocacia-Geral da União (AGU) garantiu, na Justiça, a posse de uma área de 4.048 hectares no município de Monte Alegre de Goiás (GO) em favor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A fazenda denominada Pastim será, agora, destinada a regularização do território das comunidades dos remanescentes de quilombos Kalunga que ocupam as terras.

A Ação de Desapropriação foi ajuizada pela Procuradoria Federal no estado de Goiás (PF/GO) e pela Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto (PFE/Incra) com base no Decreto Presidencial de 20 de novembro de 2009 que declarou as terras de interesse social.

Os procuradores federais informaram que a União já depositou R$ 1.583.801,02 em juízo para garantir o pagamento pela indenização da área. As unidades da AGU sustentaram que a autarquia seguiu todos os trâmites legais e, dessa forma, não haveria qualquer impedimento para que a posse do imóvel fosse emitida em favor do Incra. "A desapropriação da fazenda objetiva a imediata implementação das ações administrativas voltadas ao desenvolvimento social, cultural e econômico da Comunidade dos Remanescentes de Quilombos Kalunga", sustentaram as procuradorias.

A AGU explicou que o artigo 215 da Constituição Federal estabelece que o Estado deve proteger as manifestações da cultura afro-brasileiras, bem como o tombamento de todos os documentos e sítios detentores de materiais históricos dos antigos quilombos.

Segundo as procuradorias, as terras ocupadas historicamente por comunidades quilombolas são declaradas de propriedade das famílias remanescentes. Além disso, a Advocacia-Geral explicou que "a Convenção número 169 da Organização Internacional do Trabalho, adotada pelo Brasil, determina que os Estados signatários devem adotar medidas para garantir os direitos de propriedade e posse sobre as terras que os povos interessados ocupam tradicionalmente".

A Vara Única da Subseção Judiciária de Formosa (GO) acolheu a solicitação da Advocacia-Geral e determinou que os proprietários retirassem bens e benfeitorias não avaliados para efeitos de indenização.

Na avaliação o Chefe da Procuradoria Federal do Estado de Goiás (PF/GO), Bruno Cézar da Luz Ponte, a decisão da Justiça reforça a atuação do órgão em favor das comunidades quilombolas. "Mais uma vez, a Advocacia-Geral da União protege, a um só tempo, a cultura, o ordenamento jurídico nacional, a minoria e o esforço administrativo do Incra de cumprir o intento constitucional", ressaltou o procurador. 

Fonte:

Advocacia Geral da União

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