Cidadania e Justiça
Exposição sobre golpe de 64 atrai jovens e sobreviventes do período
Ditadura
Às vésperas do dia 31 de março, quando se completam 50 anos do golpe militar de 1964, o Congresso Nacional recebe a exposição Onde a Esperança se Refugiou, para lembrar de 366 presos políticos desaparecidos e das práticas de tortura, assassinato e exílio ocorridas ao longo dos 20 anos de exceção.
A exposição está montada no Salão Negro do Congresso até dia 13 de abril. A visitação pode ser feita todos os dias da semana de 9h às 17h com entrada gratuita. Iniciativa é da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e o Movimento de Justiça e Direitos Humanos.
Considerada “impactante” pelo jovem professor de filosofia Gabriel Andrade Bandeira, de 25 anos, a exposição começa com a entrada em uma câmara escura, gradeada, onde se tem a impressão de estar em uma cela. A partir daí, o visitante é levado a caminhar por instalações divididas em cinco eixos que tratam do contexto político brasileiro e latino-americano, da ditadura militar no Brasil, das vítimas, do Movimento Justiça e Direitos Humanos, da transição política no Cone Sul para a redemocratização e das políticas de memória.
No caminho, é possível ver vídeos com depoimentos de ex-presos políticos. Em uma das instalações, o visitante é levado a colocar o rosto em um recorte na parede para enxergar melhor as fotos dos desaparecidos do período ditatorial. Na parede oposta, um espelho faz com que se veja o próprio rosto entre as fotos. Em outro trecho da exposição, um telefone comum das décadas de 1970 e 1980 pode ser acessado por quem passa para ouvir histórias de pessoas exiladas contadas em cartas enviadas ao Movimento de Justiça e Direitos Humanos por parentes e vítimas das ditaduras da América Latina.
Para o professor Gabriel Andrade Bandeira, o passeio é válido para entender a influência do passado recente na vida política do País atualmente. Na opinião dele, a juventude tem pouco contato com os fatos do período ditatorial, mas ainda assim é influenciada pelo espírito de rebeldia daquela época. “Eu ouvia histórias do meu pai. Ele teve pouco contato com os problemas daquela época porque era sobrinho de militar, mas mesmo assim ele conta que ia para a aula e de repente percebia que um colega tinha sumido. Ele sabia que ele tinha sido levado pelo regime, não sabia se tinha sido morto, se estava preso, em tortura, mas sabia que tinha sido o regime”, diz.
O professor vê reflexo dessas histórias nas fortes manifestações de junho do ano passado. “Acho que ainda está recente essa coisa dos protestos e [a resistência à ditadura] é o que a nossa geração tem de mais próximo”, completa.
Professores do DF discutem sobre o golpe de 64
A diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Amarílis Tavares, participou, na manhã dessa sexta-feira (28), do encontro "O golpe militar e a educação”, organizado pelo Núcleo de Diversidade e Educação Inclusiva da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE), em Brasília.
O intuito do evento foi discutir os impactos que o golpe militar de 1964 teve na educação do País e na sociedade em geral. Para isso, participaram da mesa, além da diretora, o cineasta Vladimir Carvalho (diretor do filme Barra 68 e Conterrâneos Velhos de Guerra) e o jornalista, escritor, poeta e ex-perseguido político, José Roberto da Silva. Cerca 200 professores da rede pública participaram do evento.
No final da discussão, os participantes da mesa foram convidados a plantar um Ipê como ato simbólico em homenagem aos perseguidos políticos no Brasil.
Fontes:
Ministério da Justiça e Agência Brasil
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