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Cidadania e Justiça

Polícia ocupa Complexo da Maré e moradores aplaudem a ação

Policiamento

Ocupação dos policiais começou às 5h desde domingo e contou com mais de mil PMs, 130 policiais civil além de PFs, PRFs e fuzileiros navais
por Portal Brasil publicado: 30/03/2014 17h39 última modificação: 30/07/2014 01h23

As forças de segurança estadual e federal ocuparam em cerca de 15 minutos o Complexo de Favelas da Maré, em operação iniciada às 5h desde domingo (30). Um total de 1.180 policiais militares e 130 policiais civis receberam apoio de policiais federais, policiais rodoviários e de 250 fuzileiros navais.

Nenhum tiro foi disparado durante a progressão das forças de segurança na área, formada por 15 favelas, onde moram cerca de 120 mil pessoas. As ruas que, nas primeiras horas, ficaram desertas, com as casas fechadas, aos poucos foram retomando o movimento caraterístico de uma manhã de domingo.

Os moradores olhavam o movimento das janelas de casa ou reunidos nas esquinas. Grupos de policiais civis, acompanhados por delegados, revistavam residências, amparados por um mandado coletivo de busca e apreensão.

Reação

Segundo o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, coronel André Vidal, que participou da operação, a população do Complexo da Maré recebeu positivamente a chegada das forças de segurança. O batalhão ficou responsável por ocupar quatro comunidades: Vila Pinheiro, Baixa do Sapateiro, Vila do João e Parque Boa Esperança, todas até então comandadas por uma facção criminosa.

O oficial falou após a cerimônia de hasteamento das bandeiras do Brasil, do estado do Rio e do próprio batalhão, em uma praça ao lado do Morro do Timbau.

“O objetivo primeiro foi a tomada pacífica do terreno, sem risco para os moradores. A população nos recebeu com palmas e sorrisos. É só olhar em volta e ver”, disse o coronel.

André Vidal pediu apoio dos moradores com informações que possam levar à apreensão de armas e drogas, além da localização de criminosos. Segundo ele, a população não precisa ficar com medo, pois a operação é definitiva.

“Não é só uma ocupação de força, é uma ocupação social. Espero que os próximos governantes mantenham isso. A polícia veio para ficar, só sairemos com a chegada do Exército.”

Por outro lado, os moradores também pedem melhorias para a comunidade. “Queremos mais creches, pois é muito difícil encontrar vagas para os nossos filhos”, pediu uma moradora.

“Falta uma Unidade de Pronto Atendimento mais próxima, porque a única que tem fica na Vila do João e lá nós não podemos entrar”, disse um morador, que trabalha em lanchonete, referindo-se ao impedimento que a população tinha de transitar de um lado para outro do Complexo da Maré, que era dividido entre duas facções de traficantes.

Outra reivindicação é a volta das escolas em tempo integral. “Eu estudei em uma escola integral quando era criança e era muito bom. Depois acabaram com isso e ficou difícil de continuar”, disse um jovem, de 20 anos, que parou na 5ª série. Além disso, o grupo pedia melhorias na quadra de futebol, que já teve grama sintética, mas hoje esta tomada por buracos.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que a ocupação do Complexo da Maré pelas forças de segurança marca um novo tempo na vida das pessoas da comunidade, e é um dia histórico para o Rio de Janeiro. Para ele, o estado “não poderia mais tolerar o domínio do poder paralelo” nas 15 favelas que integram o Complexo da Maré.

Na avaliação do governador, a ocupação é, do ponto de vista simbólico, “significativa na medida em que se demonstra que não vamos tolerar, em hipótese alguma, o poder paralelo, seja ele do comando A ou B. São gerações e gerações lá nascidas e acostumados a conviver com traficantes armados de fuzis, determinando quem entra e quem sai da localidade”.

Ele lembrou o drama vivido por jovens e pais que perdiam amigos e filhos para o tráfico. “Quantos jovens que lá vivem não presenciaram os amigos deixarem as salas de aula e as brincadeiras para ingressar no crime. Quantas mães não assistiram desesperadas a perda de seus filhos para o tráfico”.

A ocupação da Maré, disse o governador, sob este aspecto “tem a simbologia da retomada da cidade pela cidade – é uma cidade que se reintegra à cidade. É por isto que eu digo: é um dia histórico para o Rio de Janeiro e é este o agradecimento que eu procurei transmitir à presidenta Dilma, que nos apoiou nesta empreitada”.

Fonte:
Agência Brasil

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