Cidadania e Justiça
Assentado investe em pecuária diversificada para garantir renda
Agricultura familiar
Ex-camelô e filho de um pequeno agricultor do Sertão paraibano, o assentado Francisco Moreira, do Assentamento Canudos, em Cruz do Espírito Santo (PB), na Região Metropolitana de João Pessoa, encontrou na diversificação da pecuária a segurança alimentar e econômica da família. Além da criação de suínos, bovinos, ovinos e galinhas caipiras, o agricultor agora investe na piscicultura. Embora não contabilize os lucros, Moreira calcula a renda mensal média da família em torno de R$ 1 mil.
A principal atividade pecuária da família é a suinocultura, iniciada há cerca de três anos. Em cinco pocilgas construídas no quintal da casa, ele e a esposa Maria José criam 62 porcos das espécies Piatã e Landras. A água para o rebanho vem de um cacimbão abastecido com água do Rio Gurinhém, que corta o Assentamento Canudos, e de uma caixa d'água com capacidade para mil litros.
Os animais, alimentados com milho adquirido junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) são comercializados nas feiras livres dos municípios de Cruz do Espírito Santo, Santa Rita e Sapé, na região do assentamento – uma das que mais reúnem assentamentos da reforma agrária na Paraíba –, localizada no Território da Cidadania da Zona da Mata Norte. "Tem comprador que prefere vir comprar aqui, pra escolher melhor os animais", afirma.
O rebanho suíno da família cresce rapidamente. Há cerca de dois meses, eram 32 cabeças. "Cada ninhada tem em média dez animais e sempre temos porcas prenhes", conta o assentado.
Diversificação
Três hectares da parcela da família Moreira são destinados à criação de bovinos e ovinos. São 30 cabeças de gado Nelore e mestiço e 35 ovelhas Santa Inês. Uma pequena criação de galinhas caipiras, com 30 aves, garante ovos e carne para o consumo da família.
A mais nova aposta do assentado é a piscicultura. Há três meses foram inseridos dois mil alevinos de tilápia em um açude construído dentro da parcela do assentado. A primeira despescagem deve acontecer até o final de junho. Os peixes serão comercializados nas feiras livres de Santa Rita e Sapé.
Outros quatro hectares da área são destinados à agricultura e garantem a alimentação da família, dos rebanhos e a comercialização nas feiras livres. As roças de macaxeira e de feijão do tipo macassar (feijão de corda) ocupam um hectare cada uma; e o plantio de cana-de-açúcar outros dois hectares.
"Aqui a vida é bem melhor do que na cidade. Temos tranquilidade e qualidade de vida", afirmou Francisco, que sonha em construir, com recursos próprios, mais três pocilgas e outro açude para aumentar a criação de tilápias.
De acordo com o engenheiro agrônomo José de Sousa Ramalho Neto, da equipe da Assessoria de Grupo Multidisciplinar em Tecnologia e Extensão (Agemte), entidade que presta assistência técnica ao assentamento, a criação de animais é parte importante na diversificação das atividades produtivas dos assentados da reforma agrária. "Por ser menos afetada por problemas climáticos que a agricultura, a pecuária dá segurança alimentar à família e garante uma renda mínima", afirmou o agrônomo.
Para melhorar o manejo dos animais e diminuir o impacto ambiental, a Agemte pretende, segundo Ramalho Neto, orientar Moreira na implantação de um biodigestor, no valor aproximado de R$ 1,2 mil, para aproveitar as fezes dos suínos para a produção de dois subprodutos: gás para abastecer a residência da família e biofertilizante para as plantações.
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