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Cidadania e Justiça

Gestores compartilham experiências sobre Estação Juventude

Assistência social

Secretaria promove oficina com 42 coordenadores selecionados em novembro via edital
por Portal Brasil publicado: 01/04/2014 11h15 última modificação: 30/07/2014 01h26

A Secretaria Nacional de Juventude realiza entre os dias 2 e 3 de abril uma nova oficina do Programa Estação Juventude, reunindo 42 coordenadores que foram selecionados em novembro, no edital de 2013, e vão implementar o Programa em suas respectivas cidades. Em março, a Secretaria reuniu as equipes completas de algumas regiões do País que já estão com a iniciativa em andamento, a exemplo dos municípios de Sete Lagoas (MG) e Maracanaú (CE), que puderam compartilhar suas experiências com os demais participantes.

Segundo a coordenadora-geral de Políticas Setoriais da SNJ, Helena Abramo, o encontro cumpriu o objetivo de preparar as equipes locais para o desenvolvimento das ações do programa e  alinhar o conjunto de parceiros em torno das suas principais diretrizes. "A troca de informações entre os gestores presentes foi muito interessante, pois as experiências desenvolvidas e sua diversidade constituem pistas importantes que podem ser aproveitadas por todos.

Para o coordenador da Estação de Sete Lagoas, Anderson Floriano, o apoio da Prefeitura foi fundamental para que o Programa acontecesse de forma rápida e efetiva. " A gente sabe que se as pessoas não vestirem a camisa, o processo pode se tornar mais longo". De acordo com Anderson, a região escolhida para funcionamento do Programa possui um grande número de jovens em situação de vulnerabilidade. "Temos 13 bairros, com 45 mil jovens, e grande parte deles vive em condições de exclusão, com problemas graves com droga e falta de qualificação. Escolhemos esse local também por estar próximo do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS),  permitindo uma interlocução entre as duas iniciativas.

Anderson explica que a equipe fez um "grande barulho" na inauguração da Estação Juventude, junto com a Prefeitura, para que a comunidade soubesse que ali haveria um espaço dedicado à juventude. "Junto com a equipe criamos um banco de dados, com as ações disponíveis no município, incluindo os cursos de formação. Quando o jovem chega na Estação, vem meio desconfiado,  e quer saber o que temos a oferecer. Ele não vai ali apenas para conhecer, passear, ele vai em busca de algum benefício. Nós temos também jovens que não estão em situação de vulnerabilidade, mas os vulneráveis são os que mais nos procurarm e hoje eles já veem a Estação como um ponto de apoio. Nós estamos com um cadastro de 200 jovens para diversos cursos profissionalizantes, como violão, capoeira, inglês, e estamos buscando as parcerias necessárias para atender as demandas".

Os parceiros de Anderson, os assistentes Daniele Marques e José Henrique Guarani, destacaram que a Estação de Sete Lagoas se tornou um espaço efetivo de participação, lembrando que a equipe arregaçou as mangas e foi em busca desses jovens, nas salas de aula, nas igrejas, no CRAS, e em outros locais onde eles estão presentes. Nos encontros, explicavam os objetivos do Programa e ouviam as necessidades e expectativas da juventude, que serviram de base para as iniciativas desenvolvidas na unidade. Daniele ressaltou que um ponto fundamental é a forma como os jovens são recebidos:  O acolhimento é essencial, é preciso ter um olhar sensível para o outro, ter sensibilidade para a diversidade, para ouvir e só depois propor o que é mais coerente para quem chega ali".

Daniele explica que muitas vezes o jovem utiliza a Estação como uma  válvula de escape. "Nós descobrimos, por exemplo, vários jovens que estavam fora da escola, então, nós fizemos uma ponte para resolver essa questão. Da mesma forma, começamos um curso de digitação quando percebemos que muitos jovens ficavam no computador catando as teclas. Portanto, o papel da equipe é estar atento a essas necessidades, além de prestar informação, estimular a cidadania, criar elementos para que esses jovens possam ser autores de sua própria história".

Para José Henrique essa tarefa tem sido bastante gratificante para todos que atuam junto ao Programa. "É muito gratificante saber que os cursos e o atendimento são coisas valiosas, que poderão auxiliá-los em suas vidas. Acredito que o Programa cumpre esse papel de dar esperança para esses jovens e tenho certeza que a iniciativa crescerá cada vez mais, contribuindo para uma sociedade melhor para todos nós.

Equipe de Maracanaú destaca que o Programa reforçou o diálogo com a juventude local

Em Maracanaú, o Estação Juventude funciona no espaço da Secretaria de Juventude, Cultura e Turismo. De acordo com a secretária Edna Morais de Lima, que também coordena o Programa, o trabalho começou com o mapeamento de todas as organizações de juventude, formais e informais. "Nosso objetivo era tirar essas organizações da invisibilidade. Entramos em campo, usando a linguagem dos próprios jovens, para informar sobre o Programa e estimular sua participação na construção das iniciativas que iríamos oferecer". De acordo com Edna, isso tem estimulado vários jovens, que não se encontram em situação de vulnerabilidade, a oferecer seus conhecimentos e experiências para ajudar aqueles que buscam a a Estação.  "Alguns jovens têm nos procurado, oferecendo parceria para várias atividades, são jovens formados, com experiência, querendo colaborar".

O espaço, que já sediou seminários e oficinas, está se preparando para abrigar um banco de preservativo feminino que irá atender as jovens do município. Em parceria com outros setores da Prefeitura, a ideia é que, ao procurar a Estação, essas jovens passem por um trabalho de orientação sexual, antes de receberem o preservativo.

Segundo Edna, várias outras atividades já foram desenvolvidas com a parceria da Secretaria de Saúde, e, para fortalecer a participação dos jovens, a equipe se aproximou do Comitê Intersetorial de Políticas Públicas de Juventude, que é composto por 17 Secretarias. "Não havia nenhum jovem integrando o Comitê, por isso acionamos o CRAS para escolher alguém para representar a juventude nesse colegiado".

Os assistentes da unidade de Maracanaú, Lenilson Sousa, Maria do Socorro Lima e Ana Isabele Alves, afirmam que estão muito empolgados com o contato que têm feito com a juventude local. "Nós tínhamos um espaço, mas não tínhamos contato muito próximo com os jovens. Fomos buscar o apoio dos assistentes sociais e fizemos uma agenda de visita aos CRAS, conversamos com as pessoas nas salas de serviço de convivência, apresentamos o Estação, e os jovens foram chegando, a demanda foi aparecendo a partir desses meninos, que são nosso público-alvo".

Sobre as experiências compartilhadas
O professor Diógenes Pinheiro, que integrou a equipe que ministrou a Oficina, destaca que os municípios apresentavam muitas semelhanças e diferenças, o que enriqueceu bastante o debate. Entre as iniciativas, ele destacou a importância dos gestores irem a campo buscar os jovens que não se encontram nas redes tradicionais de participação. Ressaltou também a necessidade dos gestores institucionalizarem os espaços de juventude, citando, entre os instrumentos, as conferências municipais e estaduais de juventude e a criação dos conselhos. Na opinião de Diógenes, os gestores devem estimular o diálogo dos jovens com os não jovens, uma vez que a juventude está envolvida com outras questões, que vão além daquelas específicas para o segmento, conforme foi demonstrado nas manifestações ocorridas em 2013.  "Fundamental também, nesse processo, é pensar que a participação é um método de governo e precisamos lembrar que esses espaços só cumprirão seu papel se a participação for adotada como um método de trabalho. Nessas duas experiências, de Sete Lagoas e Maracanau, vejo que isso está sendo muito bem trabalhado". Por fim, ele orientou que as Estações devem ser um espaço de (um) encontro de todos os jovens, considerando toda a diversidade desse público. "Não devemos transformar a Estação em um gueto de jovens em vulnerabilidade, pois a troca de experiências enriquece o próprio sentido da participação. Afinal, a gente aprende com as diferenças".

Opinião dos participantes da Oficina
Lenilson Sousa, coordenador adjunto da Estação de Maracanú (CE) - Como todo mundo, nós tínhamos muitas dúvidas e, nesses três dias ouvi das outras pessoas as mesmas dúvidas. Descobri que não existe uma receita pronta. Então, gostaria de dizer para todos que nós vamos conseguir, sim, o programa tem uma proposta prática e original e eu volto para Maracanaú com a sensação de que temos muito a fazer, mas com o brilho nos olhos, e isso é muito bacana. A gente está em um caminho, onde há um farol e estamos caminhando para esse farol. Quero parabenizar a SNJ pelo programa, pela oportunidade que nos dá de construir nossos próprios caminhos. Não é um programa, como outros, que foi entregue pronto. A SNJ está escutando o que nós estamos propondo e temos a oportunidade de construir essa história juntos. Aqui nós podemos percorrer vários caminhos, várias estações, e me lembrei agora da música de Milton Nascimento, "mande notícias do mundo de lá", e acho que essa é a nossa música.

Edna Morais, coordenadora da Estação de Maracanaú (CE) - Aquilo que nós colocamos, das nossas atividades, tem tudo a ver com a metodologia do programa. Isso prova que as teorias subsidiam as práticas e tudo o que fizemos tem a ver com as ideias da Helena Abramo, da Regina Novaes, e de tantas outras pessoas que se propõem a estudar e pesquisar sobre juventude e políticas públicas neste país. Meu desejo é que a gente saia daqui com a ideia de que esse é um programa que não chegou para nós engessado, o segredo é botar a mão na massa e trabalhar.

Raniery Lacerda, coordenador-adjunto da Estação de Patos (PB) - Somos a única cidade da PB que recebeu o programa. E cada cidade é que vai dar a "cara" da iniciativa na sua localidade. Tudo o que ouvimos aqui foi de extrema importância e acho relevante estabelecer um canal de comunicação entre nós, para compartilhar as experiências do dia a dia. Isso aqui foi um pontapé, precisamos estabelecer contatos e trocar ideias. Agradeço a cada um que todo dia abraça essa missão de trabalhar com esse público de 15 a 29 anos, sabendo o quanto temos a fazer pela juventude de nossas cidades.

Marcelo Bernardo, coordenador da unidade de Patos (PB) - Todos os momentos foram importantíssimos, e o mais valioso foi essa troca de experiências, o que clareou muito as nossas dúvidas. Não é fácil fazer políticas para esse segmento, essa é uma política nova, só recentemente aprovamos o Estatuto da Juventude, e espero que essa troca nos ajude a tentar cada vez mais acertar e contribuir para, entre outros problemas,  reduzir os índices de violência contra a juventude em nosso país.

Fernanda Flores da Cunha, coordenadora-adjunta da unidade de Vitória da Conquista (BA) - Não estamos fazendo um trabalho qualquer, burocrático, há uma crença de que estamos construindo algo novo, estamos ampliando nossa percepção em relação ao trabalho de políticas com a juventude. E a proposta de emancipação dos jovens é realmente um grande desafio.

Rudival Maturano, coordenador da unidade de Vitória da Conquista (BA) - A gente tem que olhar para frente, lembrando que vamos deixar um legado, que o programa vai crescer e se multiplicar cada vez mais. Olhando as oficinas que já aconteceram, a gente vê que o programa está realmente saindo no papel, conforme pudemos ver com as experiências de Maracanaú e Sete Lagoas, e ficamos felizes com os resultados desses colegas.

Jabes Soares, coordenador da Equipe da Estação itinerante na Bahia - O programa traz uma proposta não só inovadora, mas ousada, desafiadora, e a gente sabe das dificuldades que tivemos para fazer as nossas contratações. Precisamos estudar, identificar as possibilidades e é muito bacana conseguir trazer essa equipe aqui, para essa oficina, e estamos confiantes de que conseguiremos bons resultados com o nosso trabalho.

Fonte:
Secretaria Nacional de Juventude

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