Cidadania e Justiça
Juventude Viva é lançado no Espírito Santo na sexta (2)
Combate à violência
Lançado inicialmente em Alagoas, em 2012, o Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra, o Juventude Viva, será implementado no Espírito Santo na próxima sexta-feira (2/5). Além da capital, Vitória, serão contemplados os municípios de Serra, Vila Velha, Cariacica, Linhares, São Mateus e Guarapari.
O Juventude Viva é uma iniciativa do governo federal para reduzir a vulnerabilidade dos jovens, em especial da juventude negra, às situações de violência, em uma ação articulada com vários Ministérios e parceria com os governos estaduais e municipais. O Plano chega ao estado com recursos federais de aproximadamente R$ 96 milhões, distribuídos em cerca de 30 programas nas áreas de educação, saúde, cultura, justiça, trabalho e emprego, entre outras
O termo entre o governo federal e o governo do estado será assinado às 10h, em cerimônia no Palácio Anchieta, com a presença do governador, Renato Casagrande, dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Luiza Bairros (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), e dos prefeitos das sete cidades contempladas, além de outras autoridades.
Estatísticas
Dados do Ministério da Saúde mostram que Espírito Santo ocupa o segundo lugar em taxas de homicídios contra jovens no país, e as sete cidades que vão receber o Plano concentraram, em 2011, 73% das mortes registradas em todo o estado. O ES enfrenta uma luta histórica contra a violência e o objetivo do Juventude Viva é reforçar a atuação do governo capixaba no combate ao problema, com a oferta de equipamentos e serviços públicos que assegurem a inclusão e emancipação dos jovens com idade entre 15 e 29 anos.
Juventude Viva
Sob a coordenação da Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Plano foi lançado inicialmente em Alagoas e depois foi estendido ao Distrito Federal e Região Metropolitana, aos estados da Paraíba e Bahia e à capital de São Paulo.
Além das adesões pactuadas, por meio de convênio com o governo federal, mais de 180 municípios já solicitaram a adesão voluntária, que pode ser feita por qualquer prefeitura, sem recursos federais, desde que o poder público local esteja comprometido com a agenda de enfrentamento à violência contra a juventude negra.
O Juventude Viva tem como foco os 142 municípios brasileiros com maiores índices de mortalidade de jovens, incluindo todas as capitais, com atendimento prioritário aos jovens de sexo masculino, moradores das periferias dos grandes centros urbanos e com baixa escolaridade. O Plano foi formulado em um processo amplamente participativo, com envolvimento do movimento negro, de movimentos de juventude, do movimento hip hop, além de consulta a especialistas em segurança pública e diálogos com atores dos órgãos federais, estaduais e municipais e do sistema de justiça.
Além das ações voltadas para o fortalecimento da trajetória dos jovens e transformação dos territórios, o Plano busca promover os valores da igualdade e da não discriminação, o enfrentamento ao racismo e ao preconceito geracional, que contribuem com os altos índices de mortalidade desse segmento. Para a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, trata-se de uma oportunidade histórica para enfrentar a violência, debater sua banalização e promover os direitos da juventude negra, em um esforço conjunto, e inédito, das instituições que compõem o Estado brasileiro.
Mapa da Violência
O foco de violência no Brasil migrou das grandes metrópoles para cidades de médio porte de estados como Alagoas, Espírito Santos e Paraíba. É essa a conclusão do último Mapa da Violência, série de estudos publicada desde 1998 e feita sob a coordenação de Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo argentino radicado no Brasil.
"Houve um processo de ruptura na dinâmica da violência. Podemos localizar esse movimento na virada do século. Em meados da década de 90, o foco da violência estava localizado em grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Vários fenômenos aconteceram para influenciar a reestruturação do mapa da violência", afirma o sociólogo.
De acordo com Julio Jacobo Waiselfisz, houve uma mudança nos padrões de desenvolvimento econômico, de maneira que o crescimento de cidades tradicionais estagnou enquanto houve emergência de novas metrópoles. "Surgem polos que até então apresentavam taxas modestas de desenvolvimento como Camaçari e Suape e atraem um fluxo de migração para localidades onde o esquema de segurança é arcaico, pouco preparado e com poucos recursos humanos. Essa reestruturação dá origem a uma reorganização da violência nacional", explica o autor do estudo.
Confira aqui o Mapa da Violência de 2013.
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