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Cidadania e Justiça

Rio São Francisco é homenageado em curso da Funai

Velho Chico

Participantes iniciaram módulo com debate sobre desenvolvimento e bem viver e relação entre povos indígenas com Estado brasileiro
por Portal Brasil publicado: 15/05/2014 16h18 última modificação: 30/07/2014 01h28

O Rio São Francisco foi objeto de homenagens na abertura de curso de Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) para representantes de 29 povos indígenas e 14 servidores públicos.

Uilton Tuxá, coordenador da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), falou da importância do rio São Francisco para a vida dos povos indígenas da região Nordeste. "O rio São Francisco acolhe na sua bacia 32 povos indígenas, por isso ele nos une." Tuxá afirmou ainda que apesar do rio vir sendo agredido brutalmente pela gana do crescimento econômico do país, o "Velho Chico" permanece um importante símbolo que fortalece a tradição religiosa dos povos do Nordeste ao longo dos séculos. "Gostaria de pedir licença a todos para dedicar a realização desse primeiro módulo ao nosso rio São Francisco", clamou Tuxá.

Desenvolvimento

Os participantes do curso iniciaram o módulo discutindo o que é desenvolvimento e bem viver, a relação entre os povos indígenas com o Estado brasileiro e sociedade envolvente, e os grandes empreendimentos que impactam os povos e as terras no Nordeste, como a construção de barragens e a transposição do Rio São Francisco. Nesse sentido, o antropólogo e instrutor convidado, Parry Scott, da Universidade Federal de Pernambuco, e estudioso do tema dos grandes projetos de infraestrutura e desenvolvimento, chamou essas obras de "projetos de investimentos" ao invés de "desenvolvimento". Pois estas iniciativas operam no que ele chamou de produção de "vocações", que seriam na verdade, justificativas para investimentos massivos em infraestrutura e tecnologia.

O professor também abordou os efeitos positivos provocados pelos impactos negativos das obras, como exemplo, o surgimento dos movimentos de mobilização e resistência e de fortalecimento da identidade da população afetada. E assim o surgimento de projetos alternativos de desenvolvimento na região. Scott também aponta para o risco desses movimentos, associações indígenas ou sindicatos, serem incorporados na burocracia e passarem a operar como braço administrativo do empreendimento.

 O antropólogo e instrutor convidado, Wilke Torres de Melo, do povo Fulni-oh, levantou a importância dos povos indígenas sempre invocarem os seus ancestrais, não apenas como ritual, mas como fortalecimento e efetividade dessas práticas, que devem ser aprendidas do jeito que são, sem serem "manualizadas" pelos livros e guias etc. Ele também levantou que o bem viver nos territórios indígenas estaria ligado à liberdade dos povos praticarem sua cultura, crenças e viver próprios. E ao mesmo tempo, esse debate se estende à capacidade de organização e mobilização política do movimento indígena. "Não tem como discutir a PNGATI sem discutir as organizações políticas das nossas comunidades internamente. É importante fazermos essa reflexão e levá-la até às bases", afirmou.

Foi exibido também o vídeo "Elefante Branco – Não queremos transposição, queremos revitalização" que narra os movimentos de resistência dos povos indígenas do Nordeste contra os grandes empreendimentos na bacia do rio São Francisco. E para celebrar o início do Curso, houve ainda a apresentação Grupo Cultural Nação Pankararu.

Saiba mais

O curso é uma realização da Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio da Coordenação Geral de Gestão Ambiental (CGGAM), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio), do Projeto GATI – PNUD/GEF/Funai (Gestão Ambiental e Territorial Indígena). Conta ainda com o apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), das Coordenações Regionais Nordeste I e II, Baixo São Francisco, Sul da Bahia e Minas Gerais e Espírito Santo da Funai, da Coordenação de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado de Pernambuco, da Prefeitura Municipal de Petrolândia e da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ).

Participam 29 indígenas dos povos Fulni-ô, Guarani, Kiriri, Maxakali, Pankararu, Pataxó, Pataxó Hã-hã-hãe, Pitaguari, Potiguara, Tapeba, Tingui-Botó, Tremembé, Tupinambá, Tupiniquim, Tuxá, Xacriabá, Xokó e Xukuru; e ainda 14 servidores públicos de três Coordenações Regionais do Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio), cinco Coordenações Regionais da Fundação Nacional do Índio e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado de Pernambuco.

Fonte:
Fundação Nacional do Índio

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