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Cidadania e Justiça

Em seminário, historiador afirma que racismo no Brasil precisa ser assumido

Combate ao preconceito

Declaração de Paulo Henrique do Nascimento foi dada durante seminário na Câmara Municipal de São Paulo
por Portal Brasil publicado: 02/06/2014 19h32 última modificação: 30/07/2014 01h32

O historiador Paulo Henrique do Nascimento defende a tese de que o Brasil precisa se assumir como um país racista. Essa seria uma medida essencial para acabar com o preconceito brasileiro, na opinião do historiados.

A declaração foi dada durante seminário na Câmara Municipal de São Paulo na última semana de maio: "O Brasil é um país racista e as estatísticas revelam isso. Existe uma hierarquização onde percebemos que os brancos são privilegiados em detrimento dos negros. Um dos caminhos para combater o preconceito é nos assumirmos como racistas e não fazer vistas grossas quando virmos esse tipo de atitude."

Segundo Nascimento, a Copa representa uma boa oportunidade para potencializar ações de combate ao racismo. Durante palestra no mesmo evento, o ex-árbitro de futebol Márcio Chagas, que apitava pela Federação Gaúcha de Futebol, relatou diversos momentos em que foi ofendido por torcedores e até mesmo jogadores. "A região serrana é muito racista. Ao longo da carreira passei por diversas situações desagradáveis. Em uma das partidas, os torcedores me chamavam de macaco, mandavam eu voltar para o circo, para a África. Após o fim da partida, quando fui pegar meu carro, ele estava cheio de bananas em cima", contou.

Para Chagas, a Copa precisa ser um marco para o país. "Esperamos que a questão racial seja discutida e a partir do esporte conseguamos ter essa agregação social, porque todas as raças precisam uma das outras com um único objetivo, que é fazer o melhor", acrescentou.

A secretária-adjunta nacional de juventude, Ângela Guimaraes, iniciou sua fala apresentando dados oficiais do legado social da Copa e as ações que enfatizam o enfrentamento ao racismo e às violações de direitos durante o Mundial. Ângela fez questão, ainda, de ressaltar que o racismo é como um fenômeno presente no conjunto das relações mais amplas da sociedade e que se expressa fortemente no futebol, "o que exige ações concretas com todos os atores envolvidos (atletas, clubes, federações, confederações e poder publico) para que não haja impunidade e para que seja estabelecida uma nova cultura nos esportes de modo geral."

Fonte:
Secretaria Nacional da Juventude

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