Cidadania e Justiça
Em seminário, historiador afirma que racismo no Brasil precisa ser assumido
Combate ao preconceito
O historiador Paulo Henrique do Nascimento defende a tese de que o Brasil precisa se assumir como um país racista. Essa seria uma medida essencial para acabar com o preconceito brasileiro, na opinião do historiados.
A declaração foi dada durante seminário na Câmara Municipal de São Paulo na última semana de maio: "O Brasil é um país racista e as estatísticas revelam isso. Existe uma hierarquização onde percebemos que os brancos são privilegiados em detrimento dos negros. Um dos caminhos para combater o preconceito é nos assumirmos como racistas e não fazer vistas grossas quando virmos esse tipo de atitude."
Segundo Nascimento, a Copa representa uma boa oportunidade para potencializar ações de combate ao racismo. Durante palestra no mesmo evento, o ex-árbitro de futebol Márcio Chagas, que apitava pela Federação Gaúcha de Futebol, relatou diversos momentos em que foi ofendido por torcedores e até mesmo jogadores. "A região serrana é muito racista. Ao longo da carreira passei por diversas situações desagradáveis. Em uma das partidas, os torcedores me chamavam de macaco, mandavam eu voltar para o circo, para a África. Após o fim da partida, quando fui pegar meu carro, ele estava cheio de bananas em cima", contou.
Para Chagas, a Copa precisa ser um marco para o país. "Esperamos que a questão racial seja discutida e a partir do esporte conseguamos ter essa agregação social, porque todas as raças precisam uma das outras com um único objetivo, que é fazer o melhor", acrescentou.
A secretária-adjunta nacional de juventude, Ângela Guimaraes, iniciou sua fala apresentando dados oficiais do legado social da Copa e as ações que enfatizam o enfrentamento ao racismo e às violações de direitos durante o Mundial. Ângela fez questão, ainda, de ressaltar que o racismo é como um fenômeno presente no conjunto das relações mais amplas da sociedade e que se expressa fortemente no futebol, "o que exige ações concretas com todos os atores envolvidos (atletas, clubes, federações, confederações e poder publico) para que não haja impunidade e para que seja estabelecida uma nova cultura nos esportes de modo geral."
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