Cidadania e Justiça
Índios Yanomami comemoram terra desintrusada
Roraima
Após espera de 22 anos, o Povo Indígena Yanomami na região do Ajarani, extremo leste da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, recebeu a notícia da retirada do último fazendeiro que ocupava a área, no último dia 30 de maio.
No total, doze fazendeiros foram indenizados para saírem da região do Ajanari, onde vivem hoje cerca de 80 índios Yawaripë, subgrupo da etnia Yanomami.
Para Davi Kopenawa Yanomami, representante da Hutukara Associação Yanomami, o momento é de comemoração. “A tradição permanece para as futuras gerações."
Durante o evento, que contou com a presença de representantes da Funai, do Ministério Público Federal, do Instituto Socioambiental (ISA), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), da Associação dos Povos Ye'kuana do Brasil (Apyb), Conselho Indígena de Roraima (CIR), além do prefeito e do vereador de Caracarai (RR), muitos puderam falar da longa espera e dos desafios que ainda vão enfrentar pela frente, para manter a terra livre da ação dos garimpeiros ilegais, que insistem em explorar aquela região.
O cadeado na porteira e a placa de acesso negado, no limite da Terra Indígena, é apenas uma das formas da Fundação Nacional do Índio mostrar que está proibida a entrada sem autorização do órgão e dos indígenas naquela região.
Segundo o chefe da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami, Ye´kuana (FPEYY), até chegar neste momento foram muitas lutas, "chegar este momento é de muita felicidade, tudo foi feito dentro da legalidade sem nenhum derramamento de sangue."
O procurador do Ministério Público Federal lembrou que, se hoje a terra está desocupada, isso se deve a força e luta do povo Yanomami, "a única grande terra que restava para desintrusar era essa. Essa desocupação é fruto do Termo de Ajuste de Conduta firmado entre os órgãos que participaram desta ação", afirmou.
Mário de Castro, coordenador geral do Cir, lembrou que um grande desafio que o povo Yanomami tem, é proibir a entrada de bebida alcoólica e droga na terra indígena Yanomami, o que tem causado grandes prejuízos para a cultura daquele povo.
Informações da extinta Comissão Pró Yanomami (CCPY) revelam que o alcoolismo e a malária são os dois principais problemas enfrentados pelas famílias do Ajarani. Esses problemas foram causados devido a degradação ambiental e conflitos pela posse dos recursos naturais, provocados pela longa permanência de fazendeiros e posseiros no vale do Ajarani. Outros problemas, com grandes impactos sobre a saúde, foram registrados ao longo dos anos. Um exemplo foi a arregimentação de índios como mão-de-obra para as fazendas e sítios: além de trabalharem em condições que não observavam as mais elementares regras do direito trabalhista, esta relação favoreceu a introdução de hábitos nefastos entre as famílias indígenas, como o consumo recorrente de bebidas alcoólicas.
Fonte:
Fundação Nacional do Índio
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