Cidadania e Justiça
Brasil tem números recordes de proteção a refugiados, diz relatório
Dados
O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ligado à Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça (SNJ/MJ), reconheceu, até outubro deste ano, um número doze vezes maior de refugiados que em 2010.
As informações são do relatório “Refúgio no Brasil: análise estatística”, publicado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (Acnur) com dados oficiais do Conare.
O Conare deferiu 88,5% das solicitações de refúgio apreciadas este ano, uma taxa de elegibilidade mais que duas vezes a de 2013 e a maior desde 2010, quando o órgão começou o controle dos dados.
As solicitações de refúgio saltaram de 566, em 2010, para 8.302, somente este ano.
“Com maior visibilidade internacional, o Brasil tem sido destino de novos deslocamentos transcontinentais”, explica Paulo Abrão, presidente do Conare e secretário Nacional de Justiça, referindo-se ao grande número de sírios entre os 7.289 refugiados no Brasil.
Dos 2.033 novos refugiados reconhecidos em 2014, 1.183 são de países do Oriente Médio. No total, a população de refugiados sírios, agora a maior do Brasil, soma 1.524 pessoas (dados até outubro de 2014).
Entre as medidas tomadas, estão a facilitação na emissão de vistos no exterior e a simplificação do processo de reconhecimento de refúgio pelo Conare.
Conferência internacional em Brasília
A atuação do governo federal na proteção a refugiados rendeu ao país o convite pelo Acnur para sediar o encontro ministerial Cartagena+30; o evento irá celebrar os 30 anos de um dos instrumentos de proteção a refugiados mais importantes do mundo com um novo acordo internacional para ampliar ainda mais as garantias a essa população vulnerável.
Violência urbana, escassez de recursos e desastres naturais, desafios ligados ao refúgio e ao deslocamento interno na região são temas presentes na Declaração e no Plano de Ação do Brasil, que deverá ser aprovada pelos ministros de Estado da América Latina e do Caribe durante o encontro em Brasília, nos dias 2 e 3 de dezembro.
Em 1984, países da América Latina e do Caribe se reuniram em Cartagena das Índias, Colômbia, para avaliar o problema do refúgio e encontrar soluções. O encontro foi considerado um divisor de águas no assunto.
A Declaração de Cartagena acrescentou à definição de refugiado da Convenção da ONU aqueles que sofrem “fundado temor de perseguição relacionados a conflitos armados, questões de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política”, os que sofrem “violação generalizada de direitos humanos.”
Esta definição já foi incorporada na legislação de 14 países.
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