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Cidadania e Justiça

Governadores do Nordeste se posicionam contra redução da maioridade penal

Carta à sociedade

Documento contra medida em discussão no Congresso tem assinaturas de Flávio Dino (Maranhão), Paulo Câmara (Pernambuco), Camilo Santana (Ceará), Ricardo Coutinho (Paraíba), Wellington dias (Piauí) e Rui Costa (Bahia)
por Portal Brasil publicado: 22/06/2015 00h00 última modificação: 23/06/2015 17h45
Marcelo Camargo / Agência Brasil Manifestantes contra a redução da maioridade penal descartam que medida diminua violência no País

Manifestantes contra a redução da maioridade penal descartam que medida diminua violência no País

A redução da maioridade penal não resolve o problema da criminalidade envolvendo jovens. Esse é o posicionamento de governadores do Nordeste, que divulgaram uma carta contra a medida prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93. Assinaram a carta os governadores Flávio Dino (Maranhão), Paulo Câmara (Pernambuco), Camilo Santana (Ceará), Ricardo Coutinho (Paraíba), Wellington dias (Piauí) e Rui Costa (Bahia).

"Quem conhece a área sabe: o número de encarceramento é crescente e a violência não retrocede. Vamos debater e promover medidas que realmente possam enfrentar a violência. Este é um debate da sociedade brasileira", escreveu em uma rede social o governador da Bahia.

Conforme os governadores, a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, além de não contribuir para a diminuição da criminalidade, seria uma violação à Convenção Internacional dos Direitos da Criança, assinada pelo Brasil em 1990.

Leia abaixo a íntegra da carta divulgada pelos governadores do Nordeste:

Carta de Governadores contra a Redução da Maioridade Penal

Os governadores signatários desta Carta, à vista da aprovação em uma Comissão da Câmara dos Deputados da proposta de redução da maioridade penal, vêm convidar os Senhores Parlamentares e a sociedade a uma maior reflexão sobre o tema.

Temos convicção de que a redução da maioridade penal não irá contribuir para diminuir as taxas de criminalidade. Na verdade, o que ocorrerá é que crianças de 13 ou 14 anos serão convidadas a ingressar no mundo da criminalidade, sobretudo tráfico de drogas, desse modo alimentando-se uma ilimitada espiral de repressão ineficaz. Todos que lidamos com os sistemas de segurança pública e penitenciário, sabemos que cada vez há mais encarceramento no País, sem que a violência retroceda, posto que depende de fatores diversos, sobretudo econômicos, sociais e familiares.

Acreditamos que a proposta vulnera direito fundamental erigido à condição de cláusula pétrea pela Constituição, sujeitando-se à revisão pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, implica descumprimento pelo Brasil de Convenção Internacional alusiva aos Direitos da Criança, a qual nosso país se obrigou a atender por força do Decreto 99.710/90.

Lembramos que o Brasil adota um sistema especializado de julgamentos e medidas para crianças acima de 12 anos, o que está em absoluta sintonia com a maioria e as melhores experiências internacionais. Neste passo, cremos que eventual revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente é o caminho mais indicado para que alguns aperfeiçoamentos possam ser efetuados, preservando-se contudo a Constituição e as Convenções Internacionais.

Assim, dirigimo-nos à Nação com esse chamamento ao debate e a um movimento contrário à redução da maioridade penal, passando-se a priorizar medidas que realmente possam enfrentar a criminalidade e a violência.

Flávio Dino – Governador do Estado do Maranhão

Paulo Câmara – Governador do Estado de Pernambuco

Camilo Santana – Governador do Estado do Ceará

Ricardo Coutinho – Governador do Estado da Paraíba

Wellington Dias – Governador do Estado do Piauí

Rui Costa – Governador do Estado da Bahia

Fonte: Portal Brasil

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