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Cidadania e Justiça

"Violência contra as mulheres é uma injustiça na sociedade brasileira", diz ONG feminista

Igualdade de gênero

Para Instituto de Bioética Anis, repercussão do assunto mostra como mudanças no campo da desigualdade de gênero são lentas no País
por Portal Brasil publicado: 27/10/2015 16h19 última modificação: 27/10/2015 18h43

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 colocou em discussão a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Mas, na opinião da pesquisadora Debora Diniz, do Instituto de Bioética Anis, ONG feminista e de promoção dos direitos humanos de mulheres e minorias, a escolha do assunto para o exame não possui cunho ideológico.

Em entrevista ao Portal Brasil, Debora afirma que o reconhecimento da igualdade de gênero é uma forma de ingresso na vida adulta e de exercício de cidadania.  

"Acerta o Enem quando coloca uma questão de posicionamento, de argumentação, de que a violência contra as mulheres é um equívoco, um erro, uma imoralidade, uma injustiça na sociedade brasileira", resumiu a pesquisadora.   

Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) , ela avalia ainda que o objetivo era fazer com que os candidatos se posicionassem sobre um problema grave.

"O tema da redação do Enem desse ano, 'A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira', não era uma pergunta, se a violência deve ou não continuar", analisa. "'Persistência' quer dizer que algo de muito errado está em curso. E a pergunta feita aos jovens estudantes é como se posicionar", completa.

A professora da UnB observa também que a repercussão em torno da proposta de redação mostra "como as mudanças no campo da desigualdade de gênero são lentas no País".

"Só que isso tem implicações imediatas para a vida concreta das mulheres e das meninas. Quando o Enem lança um tema como esse e a repercussão que tem são apenas um alerta de que nós temos, com muita urgência, falar de gênero, falar de igualdade entre homens e mulheres nas escolas", conclui Debora.  

Educação

Na opinião de Debora, escola constitui espaço fundamental na formação da cidadania, na ordem jurídica e na política brasileira. A desigualdade entre homens e mulheres, defende ela, tem de ser enfrentada em sala de aula. 

"É ali, onde os temas mais delicados, perpetuados pelas casas, pelas ruas, pelas famílias, que eles têm que ser enfrentados. A desigualdade de gênero tem que ser enfrentada pela escola", explicou.

Fonte: Portal Brasil

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