Cidadania e Justiça
Ligue 180 internacional combate tráfico de mulheres e exploração sexual em 16 países
#VocêNãoEstáSozinha
O serviço Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, que recebe denúncias de agressão e maus-tratos às mulheres, completa 10 anos em 2015 com trabalhos prestados também em 16 países, ajudando no combate ao tráfico de pessoas, exploração sexual de mulheres e violência familiar.
A coordenadora desse serviço pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, Ane Cruz, diz que o atendimento no exterior por meio do Ligue 180 Internacional assegura à mulher brasileira que vive fora do País um canal permanente de notificação e reclamação em situações de violência, agressão e maus-tratos, seja do companheiro de outra nacionalidade ou do parceiro brasileiro em outro país.
O serviço internacional entrou em atividade em 2011, após representantes do Brasil nos serviços consulares mostrarem preocupação com o tráfico de pessoas, principalmente de mulheres, para exploração sexual.
“Começamos a prestar esse atendimento por conta da exploração sexual de mulheres e tráfico de mulheres em rota internacional, fundamentalmente oriunda de Portugal, Espanha e Itália”, disse.
A partir desses relatos, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, começaram a investigar os casos, que chegaram às autoridades por meio de denúncias feitas no “Ligue 180” no Brasil.
“Fomos investigar e conseguimos desvendar uma quadrilha que traficava e explorava sexualmente algumas mulheres. E começarmos a observar que além desses crimes outros crimes estavam sendo cometidos com mulheres brasileiras (no exterior)”, disse ela citando como exemplo os casos de violência familiar.
A partir disso, o Ligue 180 Internacional entrou em operação primeiramente em Portugal, Espanha e Itália.
Atualmente, a central de atendimento também presta serviços a brasileiras que moram na Argentina, Bélgica, Estados Unidos, França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Suíça, Uruguai e Venezuela.
Em cada um desses países, a denúncia é feita em telefones específicos. O serviço preserva o anonimato e orienta as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para serviços especializados quando necessário.
O objetivo é fazer com que a mulher em situação de risco esteja sob a proteção do Estado brasileiro em diversas localidades do planeta.
O serviço
Nos 10 anos de atividade no Brasil, a Central de Atendimento à Mulher em situação de violência realizou quase 5 milhões de atendimentos, segundo balanço feito pela Secretária de Políticas para as Mulheres.
Desse total, 56,72% compõem denúncias de agressão física e 27,74% de violência psicológica.
Conforme os dados, 58,55% das vítimas de violência são negras (pretas ou pardas), 40,48% brancas, 0,52% amarelas e 0,45% indígenas.
Apenas até outubro deste ano, o "Ligue 180" recebeu 634 mil ligações, 56,17% acima dos atendimentos feitos em igual período do ano passado.
A central de atendimento é um serviço gratuito que funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive fins de semana.
Disque-denúncia
Em um aprimoramento do serviço, desde março do ano passado o “Ligue 180” atua como disque-denúncia, em condições de enviar as denúncias para a segurança pública com cópia para o Ministério Público de cada Estado.
Em caso de risco de agressão iminente, a mulher é orientada a ligar para o número 190. As notificações de violência, agressão e maus-tratos podem ser feitas também por vizinhos, familiares e amigos da vítima.
Fonte:
Secretaria de Políticas Para Mulheres

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