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Ciência e Tecnologia

Mulher pesquisadora participa do desafio de ampliar presença brasileira na Antártida

por Portal Brasil publicado: 10/03/2010 10h54 última modificação: 28/07/2014 09h12

O desafio de enfrentar as condições climáticas da Antártida, continente mais gelado do planeta, tem atraído cada vez mais cientistas brasileiros, especialmente mulheres, informa o Ministério da Ciência e Tecnologia. A geógrafa Rosemary Vieira, por exemplo, resolveu integrar a equipe da expedição Deserto de Cristal, a primeira do Brasil a desbravar o interior do Continente Antártico, em 2008. Um marco na história da pesquisa no País, a viagem durou quase 60 dias (novembro de 2008 a janeiro de 2009), dos quais 45 em acampamento sobre o gelo.

Há 25 anos, o Brasil tem se limitado a realizar pesquisas e marcar presença na periferia do continente, onde instalou a estação Comandante Ferraz em 1984. Dessa vez, a equipe brasileira, financiada com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), trabalhou a 2.100 quilômetros ao sul de Ferraz e a mil quilômetros do Pólo Sul. Agora, o grupo da Deserto de Cristal vive mais uma conquista: a criação do Centro Polar e Climático – único da América Latina na área a explorar as interligações das duas regiões polares do planeta com as mudanças do clima e suas conexões com o clima do Brasil.

O novo centro ganhou um edital do Fundo de Infraestrutura do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) no valor de R$ 1 milhão. Além dos laboratórios, o centro deve ter infraestrutura para pesquisa e para ensino de nível superior e médio sobre mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, com o edital dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, será realizada uma ação integrada com sete universidades, que resultará na criação do Instituto Nacional de Ciência e tecnologia da Criosfera, liderado pelo Centro Polar e Climático da UFRGS. Rosemary integra a equipe de quatro pesquisadores do Núcleo de

Pesquisas Antárticas e Climáticas (Nupac), do departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu de Porto Alegre em 19 de novembro de 2008, retornando em 18 de janeiro de 2009. “É uma pesquisa inédita para o Brasil em termos de geologia e complementará outras pesquisas que também fazem essa reconstrução do passado da Antártica”, diz ela. As amostras coletadas durante a viagem foram enviadas aos laboratórios da Universidade do Maine (EUA), e serão analisadas com a participação de pesquisadores brasileiros.

A Antártica não tem habitantes permanentes, apenas uma população provisória de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares. Rodeia o Pólo Sul, e por isso, está quase completamente coberta por enormes geleiras (glaciares).

É o Continente mais frio, mais seco, com a maior média de altitude e de maior índice de ventos fortes do planeta. Estudiosos consideram o Continente um grande deserto polar, pela baixa taxa de precipitação no interior. O nome da expedição (Deserto de Cristal) também faz referência à ocorrência dessa formação no platô Antártico, a região central mais elevada do Continente. Ali, ventos descem do platô em direção à periferia varrendo toda a neve precipitada, expondo o gelo sob a superfície.

 

Fonte:

Ministério da Ciência e Tecnologia

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