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Ciência e Tecnologia

Novo laboratório da Embrapa desenvolverá embalagens comestíveis e biodegradáveis

por Portal Brasil publicado: 09/03/2012 16h18 última modificação: 28/07/2014 16h25

O novo Laboratório de Embalagem de Alimentos da unidade Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agroindústria Tropical, em Fortaleza, (CE) será inaugurado na segunda-feira (12). Na nova estrutura serão conduzidos estudos para desenvolver embalagens biodegradáveis, que em contato com o solo podem ser decompostas em semanas, diferente dos plásticos, cuja degradação na natureza pode levar mais de um século. Essas embalagens, além de ambientalmente corretas, podem ser comestíveis e ativas.

O laboratório de 350 m² quadrados abrigará pesquisas para desenvolver embalagens a partir de matérias-primas da biodiversidade brasileira, como cera de carnaúba, polpa de frutas tropicais e gomas, a exemplo da goma de cajueiro.

A Embrapa Agroindústria Tropical já atua no desenvolvimento de embalagens biodegradáveis. Um exemplo são os filmes e revestimentos comestíveis obtidos a partir de polpa de frutas tropicais, como acerola, goiaba e manga. Quando aplicados sobre a superfície dos alimentos, estes filmes e revestimentos retardam a perda de água e as trocas gasosas entre o alimento e o ambiente, aumentando o tempo de vida do produto.

Conforme a pesquisadora Henriette Azeredo, o desafio agora é melhorar o desempenho dos biomateriais para uso em embalagens de alimentos. Segundo ela, uma das formas é a adição de estruturas muito pequenas de reforço, como nanocelulose ou nanoargilas. Outra forma é combinar compostos com propriedades complementares, como o amido, que tem boa barreira ao oxigênio, ou a cera de carnaúba, que tem boa barreira ao vapor de água.

O centro de pesquisa também atua no desenvolvimento de embalagens que incorporam substâncias bioativas para promover a segurança dos alimentos. Um dos estudos, conduzido pela pesquisadora Socorro Bastos, visa ao desenvolvimento de embalagens com atividade antimicrobiana, a partir da adição de óleos essenciais de plantas como o orégano, alecrim-pimenta e manjericão. “Estes compostos já apresentam ação antimicrobiana comprovada em laboratório e podem reduzir a adição de compostos químicos sintéticos”, afirma a pesquisadora.

Embalagens inteligentes

Outra linha de atuação do Laboratório de Embalagens de Alimentos visa à obtenção, no futuro, de embalagens inteligentes. Para isso, são realizados estudos com biossensores, dispositivos eletrônicos que utilizam moléculas biológicas para detecção de substâncias de interesse. A pesquisadora Roselayne Ferro Furtado explica que já foram realizados estudos, na Embrapa Agroindústria Tropical, com a aplicação de biossensores na agroindústria.

Um exemplo foi o uso na detecção de peróxido de hidrogênio no leite para averiguar a adulteração do produto. Outro estudo propiciou a detecção da enterotoxinas estafilocócicas, toxinas liberadas por bactérias, em queijos.

Conforme a pesquisadora, o desafio do Laboratório de Embalagem de Alimentos é acoplar os biossensores às embalagens para torná-las inteligentes. “Essas embalagens poderão, por exemplo, informar ao consumidor se o produto está próprio para o consumo”, afirma a pesquisadora. O Laboratório de Embalagens de Alimentos atuará, ainda, com encapsulamento de substâncias ativas para conservar os princípios ativos ou promover um sistema de liberação controlada nos alimentos.

Fonte:
Embrapa

 

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