Ciência e Tecnologia
Encontro define ciência e tecnologia como ferramentas para desenvolvimento
Debate
Nos últimos dez anos, países da América Latina e do Caribe conseguiram diminuir a pobreza e incluir milhares de pessoas na classe média. No entanto, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) alerta para a importância de os países da região aumentarem os investimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I).
Na avaliação do diretor da divisão de desenvolvimento produtivo e empresarial da entidade, Mario Cimoli, as políticas de CT&I têm aumentado, mas os investimentos ainda precisam melhorar. “A balança comercial da América Latina e do Caribe do setor vai mal”, disse. “Para melhorar, precisamos de um mercado interno forte e mais produtivo, e só alcançaremos esse objetivo com recursos aplicados em pesquisa e desenvolvimento”.
Cimoli participou do debate “A contribuição da ciência para o desenvolvimento latino-americano”, realizado nesta sexta-feira (22), último dia do Seminário Brasil – Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade.
Segundo ele, investimentos em CT&I são importantes para que a classe média seja sustentável e não se torne dependente de políticas sociais. “Se constrói classe média com essas políticas, mas ela precisa se manter nesse nível”, observou. “Isso só se faz com conhecimento. As pessoas precisam participar do processo produtivo, agregar valor à produtividade e gerar inovação”.
Para o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Mariano Laplane, a região vive um momento de construção de um novo processo de desenvolvimento.
“No pós-guerra tivemos um processo que urbanizou e industrializou os países do Caribe e da América Latina e criou uma classe média. No entanto, esse modelo não foi inclusivo e gerou uma dependência desses países por tecnologias internacionais”.
Nos anos 1980, acrescentou Laplane, a economia mundial se transformou e os países em desenvolvimento tornaram-se locais de mão de obra barata, fornecedores de commodities ou de atração de investimentos de curto prazo.
“Na virada do século 20 para o 21, a região passou a investir em programas sociais e econômicos focados no fortalecimento do mercado interno. A persistência dessas iniciativas tem sido alvo de críticas. Temos o desafio de consolidar esse novo modelo e aí que entra a ciência, tecnologia e inovação”, reforçou.
O seminário, que acontece no Rio de Janeiro, antecede o 6° Fórum Mundial de Ciência (FMC) 2013, que ocorre a partir deste domingo (24) até a quarta-feira (27), também na capital fluminense. “Esse é o ambiente ideal para as políticas de CT&I das nações latino-americanas e caribenhas serem discutidas e aperfeiçoadas”, destacou Mario Cimoli.
No primeiro dia do evento, os países da região apresentaram a Declaração da América Latina e do Caribe para a Sexta Edição do Fórum Mundial de Ciência, com diretrizes para uma política científica e tecnológica integrada.
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