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Ciência e Tecnologia

Instituto de Pesquisas da Amazônia desenvolve sabonete vegetal

Biotecnologia

Feito com gengibre amargo, sabonete é um dos sete produtos e registros de patentes depositados pelo Inpa em 2013
por Portal Brasil publicado: 14/02/2014 18h44 última modificação: 30/07/2014 01h34

Após 15 anos de pesquisas com o Zingiber Zerumbet, conhecido como gengibre amargo, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), o doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais Carlos Cleomir e seu grupo de pesquisa, desenvolveu a partir do óleo essencial dessa planta e de frutos amazônicos, sabonetes que auxiliam no combate a acne vulgar. A dermatose atinge aproximadamente 90% dos adolescentes. A expectativa do pesquisador é lançar o produto até setembro de 2014.

O sabonete vegetal antiacne e antisséptico foi patenteado pela empresa Biozer da Amazônia, que é de propriedade de Carlos Cleomir e uma das sete empresas incubadas pelo Inpa. A primeira etapa já foi concluída, inclusive com a obtenção do protótipo (produto de teste nos resultados parciais do projeto).

“Este produto tem um diferencial se comparado aos outros que já estão no mercado, pois os extratos retirados do gengibre possuem ação anti-inflamatória, antioxidante e antibacterianas. Esta é proposta do sabonete, que chegará ao mercado até setembro”, explicou o pesquisador.

Originário da Ásia, o gengibre amargo foi encontrado pelo pesquisador e sua equipe em visitas técnicas e excursões realizadas em Iranduba, Parintins, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, municípios amazonenses que possuem grande quantidade da planta. Em Manaus, o gengibre amargo, foi localizada em áreas rurais como Tarumã Mirim e Puraquequara.

Segundo o pesquisador, apesar das potencialidades medicinais e econômicas, as pessoas utilizam a planta basicamente para ornamentação, neste caso a flor. Carlos Cleomir lembra que antes suas pesquisas estavam voltadas para a potencialidade de combate ao câncer com o uso do gengibre amargo, porém ele observou que a planta tinha base científica para expansão dos estudos.

A substância Zerumbona é o principal composto bioativo dos rizomas da planta. Mas, segundo Cleomir, é possível utilizar a planta inteira, inclusive as folhas para a produção de produtos e pesquisas à base do gengibre amargo.

De acordo com a coordenadora de Extensão Tecnológica e Inovação (CETI) do Inpa, Rosangela Bentes, o produto tem um grande valor potencial e econômico para o norte do Brasil. “É um dermocosmético com potencial de tecnologia verde, que para a produção demanda a valorização da cadeia produtiva, para que haja desenvolvimento do produto”, disse.

O sabonete é um dos sete produtos e registros de patentes depositados pelo Inpa no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), em 2013. O projeto para desenvolver o sabonete contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Mercado

Para o pesquisador Carlos Cleomir, é necessário que haja investimento na matéria prima, para que se possa ter produção industrial. Desta forma, o Inpa juntamente com a Biozer da Amazônia tem um projeto de desenvolvimento sustentável, que visa criar uma “Unidade Demonstrativa de Cultivo e Bioprospecção de Espécies Amazônicos”, que será construída na comunidade Tarumã Mirim, propriedade da União Federal e que está em fase de tramitação para liberação da área.

A unidade irá atuar na cadeia produtiva de fitoterápicos (gel, pomadas, extratos), cosméticos (gel, pomadas e sabonetes) e alimentos, como geleia mista de frutos amazônicos e iogurte funcional. Os nomes dos frutos seguem em sigilo contratual. A Unidade Demonstrativa é financiada pela Finep,  Inpa e Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera (FDB).

O sabonete será sólido, porém não será descartada a opção de produção líquida, terá tamanho e preço semelhantes aos produtos disponíveis no mercado.

“Esse produto chegará ao mercado, pois está sendo desenvolvido pela empresa incubada no Inpa tendo, em vista que tais produtos são oriundos de dois pedidos de patentes de processo e composição transferida para a empresa em 2011, e que culminou no desenvolvimento do mix de produtos, que durante dois anos a empresa licenciada realizou caracterização dos produtos que hoje também são protegidos em co-titularidade”, contou Rosangela Bentes.

Fonte:
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia 

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