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Ciência é essencial para a segurança alimentar, diz secretário

Pesquisa e Desenvolvimento

Brasil está dando os primeiros passos para enfrentar o desafio de garantir a segurança alimentar planetária, destaca Carlos Nobre
por Portal Brasil publicado: 14/03/2014 19h39 última modificação: 30/07/2014 01h35

A agricultura mundial ainda não é sustentável, e o Brasil está dando os primeiros passos para enfrentar o desafio de garantir a segurança alimentar planetária nas próximas décadas. 

A avaliação é do secretário nacional de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, que participou, nesta semana, do 1º Seminário Internacional sobre Sustentabilidade da Agricultura na Grande Escala.

“Só o conhecimento científico será capaz de subsidiar planejamentos e ações públicas capazes de intensificar a produtividade sem expandir fronteiras ou desgastar ainda mais recursos naturais como água e solo”, avaliou Nobre.

Promovido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) nos dias 12 e 13, o evento teve como objetivo debater os avanços científicos para o desenvolvimento sustentável desse tipo de agricultura.

O seminário tratou da sustentabilidade ambiental e econômica da agricultura no contexto complexo das mudanças climáticas, reunindo estudantes e pesquisadores de várias instituições e países em palestras e debates.

Para dar conta de prever o que acontecerá ao clima no planeta, os cientistas utilizam modelos matemáticos complexos com variáveis capazes de simular possíveis cenários de consequências do aquecimento global na agricultura.

Na avaliação do coordenador do evento e líder do Grupo de Pesquisas de Interação Biosfera Atmosfera da UFV, professor Marcos Heil Costa, a agricultura do futuro será muito diferente do que é hoje.

Segundo ele, a população mundial deverá passar de sete para dez bilhões de pessoas, demandando cada vez mais insumos agrícolas, como alimentos, combustíveis fosseis, fibras e energia. Os eventos climáticos extremos com ondas de frio e calor serão mais constantes. A distribuição de chuvas deverá ser alterada, afetando a produtividade agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos e a distribuição de renda.

“Estudos demonstram que não é tão simples prever o aumento de oferta de alimentos para uma população crescente porque as mudanças no clima vão interferir nas projeções de segurança alimentar”, observou Heil.

Outros palestrantes alertaram para os perigos do aumento da produção de alimentos expandindo as fronteiras agrícolas brasileiras para a região Amazônica, o que alteraria o regime de chuvas, agravando as mudanças climáticas.

Mitigação e metas

Na avaliação de Heil, o conhecimento científico tem que caminhar junto com políticas públicas para mitigar a emissão de gases causadores do efeito estufa (GEE), estimular a agricultura sustentável, aumentar a eficiência agrícola com tecnologia apropriada e reduzir o desperdício de alimentos. Essas são também as metas que diversos países, incluindo o Brasil, traçaram nas conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas.

Embora muitos países sejam criticados por não cumprir as metas de reduzir a emissão de GEE, os palestrantes se mostraram otimistas em relação a algumas políticas públicas adotadas pelo Brasil nos últimos anos, como a queda do desmatamento na Amazônia e o Plano Nacional de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

Para o ex-secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Assad, a pesquisa científica no Brasil é competente para produzir cenários e adaptar os sistemas de produção às novas características climáticas que estão acontecendo. “Falta transferir tecnologia para o campo”.

A necessidade de o Brasil investir na recuperação de solos e pastagens, na integração da lavoura com a pecuária, na melhoria da eficiência energética, no pagamento de serviços ambientais, na regulamentação da política fundiária e na educação para o consumo responsável também foram pontos abordados no seminário.

Os especialistas também concordam em sugerir que o país invista em tornar a biodiversidade mais uma opção econômica de grande vulto, desde que de forma sustentável. “Os olhos do mundo estão voltados para o Brasil em função do nosso grande estoque potencial agrícola. Nós temos condições de liderar ações, políticas e produção do conhecimento. Esse é o nosso desafio”, disse o secretário do MCTI.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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