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Ciência e Tecnologia

Castanhais nativos da Amazônia serão mapeados

Geotecnologia

Projeto da Embrapa trabalha aspectos ligados à conservação, manejo, comunicação e oportunidades de mercado da castanha-do-Brasil
por Portal Brasil publicado: 15/04/2014 18h14 última modificação: 30/07/2014 01h38

Com o objetivo de conhecer melhor diversos aspectos relacionados à castanheira e ao seu ambiente natural, um grupo de pesquisadores está iniciando um projeto audacioso. A iniciativa da Embrapa irá mapear e modelar a ocorrência de castanhais nativos da Amazônia brasileira, por meio de geotecnologias, e caracterizar as relações sociais e econômicas de sistemas de produção, a fim de contribuir para o fortalecimento da cadeia de valor da castanha-do-brasil.

O projeto conta com nome e apelido: Mapeamento de Castanhais Nativos e Caracterização Socioambiental e Econômica de Sistema de Produção de Castanha-do-Brasil na Amazônia ou, simplesmente, MapCast. A iniciativa integra o Arranjo de projetos da Embrapa intitulado “Tecnologias para o fortalecimento da cadeia de valor da castanha-do-brasil – TechCast”, que objetiva trabalhar aspectos ligados à conservação, manejo, comunicação e oportunidades de mercado, visando a melhoria na eficiência produtiva da castanha e o desenvolvimento social e econômico da Amazônia.

O MapCast contempla atividades em seis Estados da região Norte – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia – e em um do Centro-Oeste, o Mato Grosso. Atualmente não existe um mapa geral da ocorrência da castanheira na Amazônia brasileira e os estudos sobre a distribuição espacial dos castanhais podem ser cruciais para a definição de estratégias de manejo e conservação da espécie.

Desafios do projeto

A tarefa de mapear os castanhais nativos da Amazônia é um desafio. Devido à grande diversidade florística existente nas florestas tropicais, um dos desafios principais dos pesquisadores é realizar a identificação das castanheiras no ambiente natural, onde podem estar acompanhadas de uma multiplicidade de até 300 espécies por hectare.

Para isso, o projeto prevê a utilização de dados oriundos de tecnologias digitais modernas, como sensores remotos de alta resolução e tecnologia de laser scanner.

 Os pesquisadores também pretendem responder de que forma fatores como o clima, solo, diversidade e topografia, dentre outros, podem influenciar a ocorrência e abundância das castanheiras e a produção de frutos.

Caracterização socioambiental e econômica

Um dos objetivos do MapCast é realizar a caracterização socioambiental e econômica de sistemas de produção da castanha-do-brasil. Para isso, os pesquisadores vão buscar conhecer melhor alguns dos atores que compõem a cadeia produtiva, colhendo informações importantes desde a produção até a comercialização do produto.

Hoje, mais de 55 mil pessoas têm seu sustento baseado no extrativismo da castanha, o que gera a necessidade de conhecimentos sobre os diferentes tipos de organização social das comunidades extrativistas e de suas relações com as áreas onde são coletadas as castanhas. Outra ação importante do projeto é definir quais são os principais fatores formadores do preço do produto nas regiões estudadas.

Estratégias

Durante reunião realizada na quinta (3) e sexta-feira (4), na sede da Embrapa Amazônia Ocidental, integrantes do projeto discutiram as estratégias iniciais para execução do projeto. Na abertura da reunião, os chefes Geral e de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Luiz Marcelo Brum Rossi e Celso Paulo de Azevedo, respectivamente, destacaram a importância do MapCast para a Amazônia.

O projeto MapCast, desenvolvido em rede com um grupo multidisciplinar de pesquisadores, é liderado pela Embrapa Amazônia Ocidental, Unidade Descentralizada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Castanheira-do-brasil

Bela e imponente, a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa) é uma das árvores-símbolo da Amazônia, e tem merecido atenção especial da pesquisa devido à sua importância social, ecológica e econômica.

A castanheira-do-brasil ocorre em terras altas de toda a Bacia Amazônica. Além do aproveitamento dos frutos, a árvore tem aptidão madeireira, mas só pode ser explorada dessa forma em plantios, já que integra a lista do Ibama como espécie vulnerável.

Em seu ambiente natural, as castanheiras atingem até 50 metros de altura, sendo uma das espécies mais altas da Amazônia. O fruto da castanheira (ouriço) tem o tamanho aproximado de um coco e pode pesar cerca de dois quilos.

Possui casca muito dura e abriga entre oito e 24 sementes, que são as apreciadas castanhas-do-brasil. Caso não sejam consumidas, as sementes demoram de 12 a 18 meses para germinar. Muitas delas são plantadas por cutias, que comem algumas das sementes e enterram as outras para comer mais tarde.

As sementes esquecidas brotarão da terra para começar um período de vida da castanheira que pode chegar a até 500 anos.

Embrapa Amazônia Ocidental

A Embrapa Amazônia Ocidental , em como missão viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura na Amazônia, com ênfase no Estado do Amazonas, em benefício da sociedade.

Fonte:
Embrapa

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