Ciência e Tecnologia
Oradores destacam potencial transformador da internet e princípios
Governança da Internet
Direitos humanos, igualdade, equilíbrio, desenvolvimento e democracia foram algumas das palavras mais lembradas nos pronunciamentos de boas-vindas do Encontro Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet (NETmundial), nesta quarta-feira (23), em São Paulo. A sessão reuniu ministros, acadêmicos, militantes e técnicos de países de variado perfil e de todas as regiões do globo.
“O desafio é transformar as maravilhosas promessas de diálogo e paz para o mundo [que a representa] em benefícios para todos”, resumiu o diretor-geral adjunto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Getachew Engida.
Ele retomou discussões anteriores realizadas no sistema das Nações Unidas, sobretudo as relativas à sociedade da informação, e contou sobre o estudo encomendado à instituição que traz subsídios para o debate atual. “A Unesco recomenda a maior participação multistakeholder [multissetorial] possível”, resumiu.
A vice-presidenta da Comissão Europeia, Neelie Kroes, defendeu que se priorizem os pontos consensuais para a construção dos dois documentos que resultarão do encontro. “É com base nisso, e não no que nos divide, que podemos criar mudança efetiva”, reforçou, ao pedir empenho por resultados efetivos até o fim deste ano.
Para Neelie, a rede mundial representa a mais rápida e profunda revolução da história. “É mais disruptiva que a eletricidade, a imprensa e a indústria [grandes descobertas e invenções da modernidade] juntas.”
Assessor do presidente Barack Obama (Estados Unidos) para segurança cibernética, Michael Daniel reafirmou o compromisso do país com a orientação multisseotrial, recentemente anunciado. Ele elogiou o fato de o NETmundial ter concepção e execução nessa lógica e apontou a internet como catalisador para o desenvolvimento social, político e econômico.
Identificado como representante da academia entre os oradores, Davi Johnson disse participar na condição de "netizen" (cidadão da net). "Quando os netizens chegam a alguns consensos por quaisquer caminho institucional, os governos devem deferir esses entendimentos", pontuou.
Momento histórico
“Tenho a sensação de que estamos vivendo um momento histórico”, disse o ministro da Justiça brasileiro, José Eduardo Cardozo. Ele comparou esse processo ao da construção estado de direito, nos séculos 12 e 13. “Uma semente de respeito aos direitos humanos, à privacidade, à liberdade de expressão e à soberania”.
Vários participantes parabenizaram o Brasil pela sanção do Marco Civil da Internet. Para Cardozo, a nova lei será uma verdadeira carta de direitos.
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