Ciência e Tecnologia
Prevenção com materiais resistentes pode evitar fungos em bananais
Pesquisa agropecuária
Há um grande risco de entrada no Brasil da raça 4 tropical de Fusarium, fungo causador do mal-do-Panamá. Também chamado de TR4, da sigla em inglês "Tropical Race 4", afeta a maioria das variedades da cultura da banana cultivadas no País. Nesta semana, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) emitiu um alerta sobre o retorno do mal-do-panamá. Conforme a entidade, o TR4 pode causar prejuízos de US$ 5 bilhões por ano.
Antes restrita ao Sul da Ásia, onde sua rápida e agressiva disseminação tem provocado severas perdas em países como Filipinas, Taiwan, Indonésia e China, o TR4 foi detectado recentemente em plantações da África. Caso essa raça chegue aos bananais do continente americano, especialistas afirmam que os dias das variedades Cavendish, que inclui a banana Nanica, poderão estar contados.
Segundo esses cientistas, sua chegada às Américas é uma questão de tempo. Existem hoje pelo menos 50 variedades suscetíveis ao TR4, o que converte esse patógeno em uma séria ameaça para a bananicultura mundial.
A prevenção como caminho
Para o estudo do TR4, a Embrapa tem parcerias com instituições de pesquisa de países onde a doença já está presente, como a Universidade de Queensland, na Austrália, e a Academia de Ciência de Guangdong, na China, ou em locais que possam trabalhar com o patógeno sem riscos, como a Universidade de Wageningen, na Holanda. Com essa parceria, já foram concluídos trabalhos para desenvolvimento de um método de diagnóstico específico para TR4 e validadas metodologias para seleção de materiais resistentes.
Em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), alguns dos genes de resistência à doença foram identificados. Essa descoberta abre perspectivas para a obtenção de variedades resistentes.
"Em nossa coleção de germoplasma, alguns materiais já foram identificados como resistentes em outros países. Estamos fazendo cruzamentos já há dois anos. Então é possível que a gente já tenha soluções", afirma Amorim. Ele é enfático ao afirmar que não existe nenhum programa de melhoramento no mundo que faça algo similar: desenvolver cultivares resistentes ao mal-do-Panamá por meio de cruzamentos. "Por isso temos a melhor condição de buscar a solução via controle genético dessas doenças", diz o pesquisador.
A situação do TR4 no mundo
A doença está presente na Austrália, Filipinas, Malásia, Indonésia, Taiwan, China, Omã, Jordânia e recentemente foi relatada na África (Moçambique). Miguel Dita afirma que não existem dados exatos sobre a quantidade de áreas afetadas em nível global, mas na Indonésia, por exemplo, em apenas três anos (2000-2003), a área plantada na Sumatra Ocidental caiu de 1400 hectares para 715 hectares.
"Na China, já há mais de 40 mil hectares afetados. No caso de Taiwan, a exportação para o mercado japonês caiu exponencialmente de 2000 a 2008, passando de 350 milhões a 50 milhões de caixas", informa. Essas áreas estão condenadas para o cultivo de banana, uma vez que o fungo é um habitante do solo e consegue sobreviver, mesmo na ausência da bananeira, por mais de 30 anos.
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Fonte:
Embrapa
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