Ciência e Tecnologia
Jornada internacional reúne especialistas em transmídia
Convergência digital
Se criássemos uma linha cronológica, poderíamos determinar os períodos de evolução tecnológica desde o nascimento da internet, em 1960, passando pela instauração dos conteúdos multimídia, até chegar na cultura da convergência, fase que nos encontramos hoje.
Parte das discussões envolvendo o papel central da tecnologia como um dos fatores determinantes das transformações midiáticas, a I Jornada Internacional de Entretenimento Transmídia (JIG) levantou questões e promoveu debates acerca do tema. O evento ocorreu entre os dias 13 e 15 de maio, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O conceito de convergência ainda é palco de discordâncias entre os estudiosos, já que não existe um consenso que determine uma definição única. O americano Henry Jenkins, um dos teóricos precursores do tema escreveu diversos artigos sobre o modelo vigente, embora seja mais conhecido pelo livro “Cultura da convergência”, que encabeçou as discussões entre especialistas e curiosos.
Segundo ele, convergência é uma palavra que define as mudanças tecnológicas, industriais, culturais e sociais de modo como as mídias circulam em nossa cultura. Vivemos isso no nosso cotidiano quando passamos a utilizar a internet para ver um programa de televisão ou para ler um livro de nosso interesse. Esse novo modo de consumo rompe as barreiras entre mídias tradicionais, como o rádio e televisão e se conecta com as novas mídias digitais, como é o caso da internet.
O resultado disso é essa interconexão de conteúdos que sai de uma mídia e migra para outras formando uma rede de informações que se expandem e dialogam com a sociedade em questão. É dentro desse cenário, que a convergência midiática incorpora o conceito de transmídia.
Transmídia é todo conteúdo, não necessariamente digital, que se expande em diversos meios de comunicação. A informação parte de um texto principal, como a televisão, por exemplo, e se amplia com a inserção de novas informações na internet. Assim, essa rede de conteúdos avança e novas histórias são divulgadas a partir da colaboração de especialistas e outros usuários que se interessam pelo tema em questão.
Embora tenha sido criada no mundo do entretenimento para prender a atenção e fidelizar os usuários, o jornalismo também é capaz de incorporar esse conceito e trazer para seus leitores informações cada vez mais completas, sem perder a relevância e importância do conteúdo principal. O que o conceito leva de mais interessante é o leque de possibilidades que permite aos usuários, no caso da internet, participar e elaborar as informações dialogando com a rede de conhecimento.
Para o professor do departamento de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e também um dos organizadores do evento, João Carlos Massarolo, a realização da Jornada se baseia exatamente em levar as discussões da teoria para a prática fomentando um trabalho de conscientização social. “O conceito transmídia é um paradigma, espelho de todo conteúdo convergido. Por isso é necessário reforçar a importância da prática acadêmica que dialogue com a sociedade.”
O professor que acredita no conceito coordena um grupo de pesquisa sobre transmídia, veiculado ao departamento de Imagem e Som da Ufscar. Um dos desafios do grupo é tentar entender os diversos conceitos ainda em construção na área. Além disso, o grupo mantém a Revista Geminis, com edições semestrais que abordam os mais diversos temas da convergência midiática e da produção audiovisual em múltiplos meios transmidiáticos.
Fonte:
Portal Brasil
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