Ciência e Tecnologia
América Latina deve criar condições para aproveitar mudanças globais, diz ministro
Debate
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina Diniz, defendeu a integração da América Latina como etapa necessária ao desenvolvimento econômico e social da região. A ideia é permitir que os países do continente possam se inserir de forma mais soberana e ativa no mercado mundial, cuja dinâmica tem se transformado rapidamente nas últimas décadas, com a emergência de novos atores e polos regionais de crescimento.
“Na reorganização da ordem global que estamos observando, nenhum país da América Latina encontrará condições promissoras de desenvolvimento de forma isolada. Ou buscamos a integração ou teremos grandes dificuldades”, disse o ministro, na 1ª Conferência de Ciência, Inovação e Tecnologias da Informação e das Comunicações', realizada nesta terça-feira (10), na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em Santiago, no Chile.
Segundo Camplina, as mudanças no plano econômico e político internacional criam oportunidades a serem aproveitadas pelos países periféricos, em especial para América Latina. “A janela está aberta, mas ela se fechará em algum momento”, ponderou.
Um desafio a ser superado pelos países latino-americanos diz respeito à integração regional. “A despeito das inúmeras iniciativas efetuadas desde a década de 1960, persistem ainda descontinuidades no continente, com poucos nexos entre as bases produtivas de cada país e uma débil infraestrutura de comunicação no continente”, disse Campolina.
Os fluxos de comércio intrarregional ilustram esse quadro latino-americano fragmentado. Enquanto na América do Norte, Europa e Ásia, centros dinâmicos da economia mundial, 49%, 70% e 53% das exportações, respectivamente, dirigem-se para as próprias regiões, na América Latina esse percentual baixa para 17%, considerando o México – que integra o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês).
Assim, segundo o ministro, os países da América Latina devem promover a integração econômica regional e, ao mesmo tempo, investir fortemente em educação, ciência, tecnologia e inovação, de modo a criar condições efetivas para que sejam aproveitadas as oportunidades de desenvolvimento criadas pelas atuais mudanças na ordem global.
O evento contou com a participação de autoridades governamentais dos países da América Latina e do Caribe, observadores de outras nações e blocos econômicos (Japão, Itália, Alemanha, França, Espanha e União Europeia), além de representantes de instituições multilaterais, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), International Development Research Centre (IDRC), entre outros.
Ao final do encontro, foi assinada declaração conjunta em favor do aprofundamento do diálogo e do trabalho articulado entre os países latino-americanos no campo da ciência e da tecnologia.
>> Leia a matéria completa.
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















