Ciência e Tecnologia
Brasileiros trocam experiências com gestores da China e da Finlândia
Cooperação internacional
A Missão Técnica e Empresarial 2014 com destino à China e à Finlândia chegou ao fim com resultados positivos. A avaliação é do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Alvaro Prata, que coordenou a delegação brasileira composta por 38 pessoas que viajou pelos dois países.
A comissão incluiu formuladores de políticas públicas, dirigentes de entidades de apoio e fomento à pesquisa e gestores de parques tecnológicos e incubadoras de empresas, representando 23 organizações nacionais. De 26 de maio a 6 de junho, a delegação visitou instituições científicas, parques tecnológicos e ambientes de inovação.
De acordo com Prata, a troca de experiências com os chineses e finlandeses ampliou e aprimorou a visão de organização nesses países. “Não se tratou simplesmente de visitar as instituições e os parques tecnológicos desses países, mas de poder interagir com os gestores para que pudéssemos detalhar com eles as questões ligadas ao funcionamento, financiamento e as estruturas dos parques tecnológicos e ambientes de inovação”, afirma o secretário do MCTI.
A Missão Técnica e Empresarial 2014, na visão de Prata, serviu para aprender com as experiências dos dois países, “que mesmo apresentando diferenças culturais, de dimensão territorial e dos regimes de governo, possuem semelhanças grandes no que se refere à inovação e ao desenvolvimento tecnológico”.
Segundo Prata, ambos os países já perceberam a importância de reduzir a burocracia, focar nos resultados e trabalhar com mais agilidade as iniciativas no contexto tecnológico de inovação. “A lição que tiramos é que independente da história desses países eles já perceberam que é preciso ter agilidade na maneira como tocam as iniciativas, tem que reduzir a burocracia, focar nos resultados e criar um ambiente atrativo para os empresários, pesquisadores e estudantes que se beneficiam disso”.
No campo do investimento empresarial, o secretário do MCTI avalia que o investidor que coloca recursos em empresas de base tecnológica em território finlandês e chinês “encontra um ambiente favorável”.
Visitas
O conceito dos parques tecnológicos, segundo o secretário, ampliou-se, tanto na China quanto na Finlândia. “Não dá pra falar hoje m parques tecnológicos sem falar do movimento que envolve toda a cidade, sem estimular e criar uma proposta que envolva desenvolvimento econômico, tecnológico e estimule as empresas”, explica o secretário Alvaro Prata.
Uma das primeiras atividades oficiais da delegação brasileira em Pequim, na China, foi conhecer as instalações do Zhongguancun Sciencee Park (Z-Park). Este é o primeiro e mais importante parque tecnológico do país asiático. Formado por um conjunto de 16 subparques, o Z-Park ocupa uma área de 428 quilômetros quadrados (km²).
“Ficamos uma tarde inteira discutindo com o pessoal da administração desse parque, o maior ecossistema de inovação da China, escutando sobre como eles funcionam, os ambientes, as incubadoras e o financiamento”, afirma Prata.
Em 2013, 6 mil novas empresas entraram no Z-Park, sendo mais de 90% delas classificadas como pequena e micro empresa. Ao todo, as empresas instaladas no Z-Park faturam juntas cerca de R$ 1 trilhão. Ao longo da semana em que a delegação permaneceu na China, os membros da comissão visitaram ainda o TusPark, um complexo que envolve outros 20 subparques. “Na China há mais de mil parques tecnológicos”, afirma Prata.
A delegação também conheceu o China Brazil Center for Climate Change and Energy Technology Innovation (CCBCE), criado em 2010 com o apoio da Finep/MCTI, a partir de uma cooperação tecnológica e acadêmica entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Tsinghua e a Baidu, empresa que possui o terceiro maior motor de busca do mundo e o primeiro da China, com 80% do mercado.
Já na Finlândia o grupo conheceu o VTT Techincal Research Center, considerada a maior organização de pesquisa aplicada multissetorial do norte da Europa e a Design Factory, da Universidade Aalto. “A Design Factory é um ambiente onde eles possibilitam a realização de projetos em conjunto sem uma série de dificuldades que estariam associadas a estruturas diferentes entre a universidade e a empresa”, destaca o secretário.
A equipe brasileira conheceu também a Sauna Startup, uma incubadora para a geração de startups fundamentada em uma metodologia de cinco semanas e a Agência Finlandesa de Fomento à Inovação (Tekes).
Segundo Prata, a aproximação entre academia e empresas na Finlândia chamou a atenção. “Na Finlândia é impressionante como eles reestruturam as universidades, como criam instâncias para favorecer essa aproximação entre as universidades e as empresas”, ressalta.
Cooperação internacional
Para estreitar a parceria entre a Finlândia, China e o Brasil, deverá ser lançado, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no segundo semestre, um edital para bolsas de pós-doutorado. A ideia é que gestores brasileiros possam trabalhar em parques tecnológicos e incubadoras de empresas na China e na Finlândia.
“Vamos lançar um edital para que o governo chinês conceda formalmente a possibilidade de trabalhar ocupando funções específicas nesses parques tecnológicos, lidando com a gestão e aprendendo como eles estruturam tudo isso”, acrescenta. Está prevista também a realização de um seminário no Brasil sobre parques tecnológicos e ambientes de inovação com a participação da delegação chinesa. O evento deve ocorrer em novembro.
A Missão Técnica & Empresarial 2014 foi realizada em conjunto pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o MCTI e o Ministérios das Relações Exteriores (MRE), com apoio das embaixadas brasileiras na China e na Finlândia.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti) prestaram apoio institucional à Missão.
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