Ciência e Tecnologia
Embrapa promove curso de manejo sustentável na pecuária de corte
Gestão rural
Todos os anos, produtores rurais de diferentes portes se fazem várias perguntas: Como vai se comportar o tempo? Quais vão ser os preços do gado? O que vou precisar vender para atender as despesas? Com o intuito de tornar o processo produtivo mais controlável, uma série de exercícios práticos foi promovida para os pecuaristas familiares e técnicos da Emater/RS-Ascar que participaram do curso "Manejo sustentável na pecuária de corte”.
A palestra "Noções Básicas de Gestão Rural" foi um dos destaques da capacitação, que aconteceu entre 4 e 6 de junho, na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS). A apresentação foi realizada pelo pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Vinícius Lampert, com colaboração do professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Cláudio Marques Ribeiro.
Na ocasião, os participantes exercitaram como calcular a área aproveitável da propriedade, a lotação e a receita por hectare e o custo do terneiro desmamado. "Para alguns pode ter sido um choque ao se perceber, por meio dos números, o custo final do terneiro, mas é uma constatação importante para que se tomem medidas efetivas para a melhoria do negócio", explica Lampert. O pesquisador enfatizou a importância de registrar os principais dados, que devem ser usados para produzir informações, que gerarão conhecimento para se atingir a competitividade.
Relação solo-planta-animal
A importância do diferimento para maior oferta de alimento aos animais já é uma prática bem compreendida e adotada pelos pecuaristas participantes das Unidades Demonstrativas do projeto RS Biodiversidade. Durante o curso, eles puderam perceber também que a planta precisa ter folha suficiente para se desenvolver melhor e produzir mais.
"Ao se prever uma estiagem, por exemplo, é interessante investir no crescimento das plantas para aumentar a parte aérea e consequentemente também as raízes irão crescer e promover a infiltração da água para a reserva em períodos de seca", afirma Leandro Volk, pesquisador especialista em Solos da Embrapa Pecuária Sul.
Dentro do tema "relação solo-planta-animal", este foi um dos principais assuntos que procurou fomentar a revalorização do conhecimento que o pecuarista familiar já possui da sua propriedade, porém de maneira a construir estratégias sustentáveis de manejo.
A eficácia das vacinas
O Manejo Sanitário em Bovinos foi o tema principal do segundo dia do curso. A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Emanuelle Gaspar explicou aos participantes a função da vacina que, ao contrário de um medicamento, serve para prevenir doenças e não tratá-las.
A pesquisadora falou também sobre a importância da repetição de doses de algumas vacinas (dose de reforço) para dar o estímulo adequado na produção de anticorpos. No entanto, nem sempre a vacinação é garantia de imunização, pois as melhores vacinas têm de 80 a 90% de eficiência.
Além disso, outros fatores contribuem para sua ineficácia: animais estressados ou com estado nutricional ruim não respondem bem à vacina. Também pode haver lotes de vacina com problemas técnicos e seu transporte e armazenamento devem ser feitos com muita cautela, sempre a baixas temperaturas (de 2 a 8 ºC), mas nunca congelar.
Como combater a raiva bovina
Outro importante tema do encontro foi a raiva bovina, abordada pelo médico veterinário Claudio Alves Branco, da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa). No Rio Grande do Sul, os focos de raiva se encontram nas regiões central, leste e parte do noroeste. Nestes municípios existe a recomendação de vacinação nos animais pecuários, como modo de prevenção.
Além de ser uma zoonose (doença transmitida para o homem pelos animais), a raiva é fatal e altamente infecciosa e se propaga por morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue de animais), baba e sangue de animais contaminados. Os bovinos infectados com o vírus, por mordedura destes morcegos, apresentam sintomas de andar cambaleante, dificuldade de manter membros eretos, cola direcionada para a lateral e dificuldade de engolir água. Em estágio avançado da doença, o animal tem os quartos posteriores paralisados e prostração.
Alves Branco frisou as diferenças entre um morcego hematófago e um morcego insetívoro, sendo mais fácil identificá-los pelas fezes. Os que transmitem a raiva têm fezes mais parecidas com uma borra de café, com tom escurecido, diferentes das dos outros, que têm fezes parecidas com as de rato. Os lugares preferidos para estes mamíferos são taperas, ocos de árvores, túmulos antigos, cavernas e bueiros velhos.
Em caso de serem encontrados tais morcegos ou de os bovinos apresentarem os sintomas acima citados, deve-se comunicar a Inspetoria de Defesa Agropecuária para que a notificação seja feita e a propriedade receba a visita do inspetor. Nos casos confirmados, a propriedade é considerada foco de raiva e o local é georreferenciado. Os morcegos hematófagos também são capturados com redes por agentes especializados, recebendo uma pasta vampiricida, que envenena o animal e os demais da colônia.
>> Leia a matéria completa.
Fonte:
Embrapa
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil
















