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Vacina brasileira poderá ser comercializada na Europa

Saúde

Laboratório estuda registro na Europa de vacina contra leishmaniose visceral em animais desenvolvida por pesquisadores do INCT
por Portal Brasil publicado: 07/06/2014 10h20 última modificação: 30/07/2014 01h40
Divulgação/Fiocruz Vacina funciona por meio de indução de respostas imunes do tipo celular, necessárias para combater patógenos intracelulares com a Leishmania

Vacina funciona por meio de indução de respostas imunes do tipo celular, necessárias para combater patógenos intracelulares com a Leishmania

Uma vacina contra a leishmaniose visceral em animais desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT-V), sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), poderá ser comercializada para países europeus. A Leish-Tec foi lançada no mercado brasileiro em 2008 e a tecnologia foi transferida para o Laboratório Hertape Calier Saúde Animal, que, atualmente, estuda o registro da vacina no continente europeu.

“A vacina poderia ser útil em vários países da região do Mediterrâneo, como França, Espanha, Portugal e Itália. A Calier, parceira do Hertape, tem feito testes para registro da vacina na Europa”, afirma a pesquisadora e coordenadora da pesquisa que resultou na formulação da Leish-Tec, Ana Paula Salles. “Além disso, em países da América Latina, onde a leishmaniose visceral é uma zoonose e cães são reservatórios do parasita – caso do Brasil –, a droga pode ser utilizada”, acrescenta.

A vacina desenvolvida pela equipe de pesquisadores do INCT-V da UFMG recebeu duas premiações neste ano: o Prêmio Fundação Péter Murányi em saúde e o Bom Exemplo em Ciência, oferecido pela Fundação Dom Cabral, pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e pela Globo Minas.

A forma visceral da leishmaniose é uma das mais severas. A doença ataca animais, como os cachorros, e é transmitida entre eles e para o homem pela picada do mosquito palha. No organismo humano, o parasita compromete o funcionamento do fígado, do baço e da medula óssea, podendo levar à morte. Os medicamentos disponíveis no mercado são tóxicos ou muito caros. A vacina Leish-Tec é produzida por tecnologia de DNA recombinante, o que a distingue, segundo a pesquisadora, das outras disponíveis no mercado.

Ela explica que a vacina funciona por meio de indução de respostas imunes do tipo celular, necessárias para combater patógenos intracelulares com a Leishmania. “Considerando os exames parasitológicos, ou seja, a detecção do parasita nos cães após a vacinação, 96% dos animais vacinados foram protegidos, resultando em eficácia vacinal pela Leish-Tec de 71%, em geral, e de 81%, entre os animais que responderam à vacinação com produção de anticorpos anti-A2”, explica.

De acordo com ela, outra característica da Leish-Tec que a distingue das demais vacinas é que ela não induz anticorpos detectados nos testes de diagnóstico sorológico da leishmaniose visceral canina, permitindo que os animais vacinados sejam distinguidos dos cães infectados. “E assim não interfere na aplicação das medidas de controle da doença, uma vez que os cães com diagnóstico sorológico positivo devem ser sacrificados”, comenta.

Pesquisa

A Leish-Tec resultou de conhecimento científico e tecnológico acumulado em estudos iniciados em 1997, pela equipe de pesquisadores coordenada por Ana Paula e Ricardo Tostes Gazzinelli. Para cada fase de desenvolvimento e testes foram necessários diferentes pesquisadores com competências distintas e complementares, incluindo imunologistas, parasitologistas, biologistas moleculares e epidemiologistas, entre outros.

Os estudos incluíram, no primeiro momento, testes pré-clínicos de imunogenicidade e proteção em camundongos infectados experimentalmente.

Os resultados permitiram aos pesquisadores avançar para os testes clínicos em um pequeno número de cães mantidos em laboratório e infectados experimentalmente para avaliação de segurança e imunogenicidade (capacidade de induzir e reagir a uma resposta imunológica detectável). “Por fim, novos resultados positivos permitiram que a Leish-Tec fosse avaliada em teste clínico com grande número de animais para demonstração de eficácia vacinal, em área endêmica com intensa transmissão de LV (leishmaniose visceral)”, afirma.

O financiamento para pesquisa da vacina no INCT-V contou com aporte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no valor de R$ 6,6 milhões no período de 2009 a 2014. De acordo com Gazzinelli, coordenador-geral do INCT-V, os recursos foram distribuídos para uma rede de laboratórios em outras instituições de ensino de diferentes estados. “Entre 25% e 30% foram investidos na UFMG, dos quais aproximadamente R$ 1 milhão foi investido em pesquisa para o desenvolvimento da vacina”, disse.

Os estudos para a formulação da Leish-Tec receberam financiamento também da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), da Rede Mineira de Biomoléculas da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado da Minas Gerais (Fapemig) e do Laboratório Hertape Calier. Em 2008, a Leish-Tec recebeu os registros dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Saúde (MS) e começou a ser comercializado no País.

No momento, a vacina é vendida apenas para o setor privado. No entanto, existe um projeto de lei tramitando no congresso para que ela seja adotada pelo governo como medida de saúde pública, como ocorreu com a vacina contra a raiva.

Futuro

A partir dos resultados alcançados contra a leishmaniose visceral animal, a equipe de pesquisadores do INCT-V quer agora desenvolver uma nova droga para imunização capaz de proteger o homem. Estudos apontam que a doença mata no mínimo dez vezes mais do que a dengue no País.

Os estudos nessa linha foram iniciados há cerca de um ano. Ana Paula Salles estima que até o segundo semestre de 2015 os testes já terão sido concluídos.

A pesquisa despertou o interesse da multinacional britânica do setor farmacêutico GlaxoSmithKline, que também está financiando os pesquisadores no desenvolvimento da vacina para humanos.

Saiba mais sobre o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), que teve seu novo formato desenhado por chamada lançada nessa sexta-feira (6) pelo ministro Clelio Campolina Diniz.

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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