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Ciência e Tecnologia

Inpa apresenta pesquisas sobre agricultura, abelhas e bambu

Amazônia

Estudos foram apresentados durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC)
por Portal Brasil publicado: 28/07/2014 11h27 última modificação: 28/07/2014 11h27

Como parte da programação de sessão de mesas-rendondas da 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Rogério Eiji Hanada, realizou palestra para os alunos de Agronomia da Universidade Federal do Acre (Ufac) 'Os desafios para consolidação da agricultura na Amazônia'.

Na palestra, realizada neste sábado (26), o pesquisador, que é coordenador do curso de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido e pesquisador do Laboratório de Fitopatologia do Inpa, falou que os desafios para consolidar a agricultura na Amazônia são muitos. “O maior desafio a ser superado é conseguir produzir alimentos e desenvolver a agricultura sem interferir nos recursos naturais”, disse.

Rogério Hanada comentou que em outros ecossistemas, onde a agricultura foi desenvolvida, tanto no Brasil, como em outras partes do mundo, desenvolveram-na sem se preocupar com os recursos naturais. “Então, temos esse grande desafio e que precisa ser sanado.”

O pesquisador também falou sobre as doenças que atingem algumas plantas e os estudos que o Inpa desenvolve para combater essas enfermidades, como o mal da Sigatoka negra, considerada a doença mais destrutiva da cultura da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis.

Pesquisas com abelhas

Outra pesquisa do Inpa apresentada na Reunião da SBPC mostra a potencialidade das abelhas na Amazônia. “Temos a maior floresta do mundo, mas as abelhas africanizadas (Apis mellifera) não se alimentam dela, por esse motivo a apicultura em grande escala na região Amazônica seria inviável”, afirma autor da pesquisa, Marcio Luis de Oliveira.

“A abelhas não se servem da floresta, pelo contrário, elas estão do lado de fora, nas áreas abertas e  desmatadas, nas capoeiras e, também, nas áreas urbanas se alimentando de refrigerantes e de tudo o que sobra de açúcar em canudinhos e copos descartáveis jogados nas lixeiras”, explicou Marcio e ressaltou que por esse motivo não é recomendável a apicultura em grande escala.

Para o pesquisador, a alternativa que se tem de pensar em apicultura na região Amazônica, seria desenvolvê-la em áreas desmatadas em escala familiar. “O que seria uma alternativa de renda para famílias de agricultores que já praticam algum tipo de cultivo. Acredito que a apicultura neste sentido poderia entrar como um acréscimo na renda familiar.”

Abelhas sem ferrão: maior reserva na Amazônia

Marcio Oliveira afirma que a grande reserva de mel de abelhas sem ferrão para o uso na meliponicultura em área florestais está na Amazônia. Para o pesquisador, estas espécies de abelhas poderiam ser canalizadas para ajudar na melhoria de renda e qualidade de vida da população.

Segundo ele, estima-se que a região amazônica possui cerca de 150 espécies ou mais e no Brasil, calcula-se cerca de 200 espécies. “Temos material suficiente não só para produção de mel de abelhas sem ferrão, mas também outras que são importantes para a polinização.”

Pesquisa com Bambu

Também integrando a programação de sessão de pôsteres da 66ª Reunião Anual da SBPC, o Inpa, por meio do Núcleo de Apoio à Pesquisa no Acre (Napac), mostrou ao público mais um resultado de pesquisa intitulado “Estrutura populacional de Astocaryum ulei Burret (Arecaceae) em uma floresta de terra firme com bambu (Guadua spp.) dominante no subosque no leste do Acre”.

A pesquisa é da graduanda de Biologia da Faculdade UniNorte/Acre, Luiara Paiva Gomes, que foi orientada pelo pesquisador do Inpa/Acre, o doutor em Botânica, Evandro José Linhares Ferreira. O estudo teve início no final de 2013 e foi realizado na Reserva Florestal Humaitá da Universidade Federal do Acre (Ufac), no município de Portoacre, distante cerca de 40 quilômetros de Rio Branco.

De acordo com Luiara, o objetivo foi determinar a estrutura populacional da palmeira da espécie Atrocaryum ulei para avaliar se o bambu exercia algum tipo de influência na mesma. “Florestas dominadas por bambus apresenta-se estruturalmente alteradas, pois eles afetam o influxo e a habilidade competitiva de outras espécies, causando uma redução do número de espécies arbóreas”, explica Luiara.

Ela explica também que a palmeira Astrocryum ulei, conhecida popularmente como murmuru, é uma palmeira que ocorre em florestas primárias de terra firme, de várzea, florestas secundárias e em áreas antropizadas (alterações que o homem faz no meio ambiente) do Acre. Ela explica que os frutos dessa palmeira são comestíveis e da semente é extraída gordura usada para a produção industrial de sabonetes e outros produtos cosméticos.

Fonte:
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

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