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Ciência e Tecnologia

Projeto Sustentare desenvolve comunidades rurais

Agricultura Familiar

Em parceria com Embrapa, projeto também promove fortalecimento da autonomia dos agricultores
publicado: 01/07/2014 15h41 última modificação: 01/07/2014 15h41

O Projeto Sustentare tem contribuído com várias famílias agricultoras, por meio de atividades desenvolvidas desde o início de 2012. Liderado pelo pesquisador Jorge Farias e pelo analista Éden Fernandes, ambos da Embrapa Caprinos e Ovinos, o projeto começa a apresentar resultados práticos e o principal deles, segundo Farias, é o desenvolvimento humano e o fortalecimento da autonomia dos agricultores. 

Para o pesquisador do Departamento de Transferência de Tecnologias, Antônio Heberlê, o Sustentare é realmente um projeto diferenciado. "Ele aplica de fato metodologias participativas, o que não é fácil, porque o agir interativo requer uma programação mental diferente daquela a que se está acostumado a exercer na vida prática, competitiva, que força ao individualismo. Neste projeto, a essência da participação é respeitada."

O projeto Sustentare desenvolve ações em três comunidades rurais do município de Sobral (CE), utilizando uma metodologia participativa que envolve seis passos: Conhecer para atuar, Planejar para fortalecer, Construir a sustentabilidade local, Monitorar e avaliar a sustentabilidade, Gestão para a autonomia e Comunicação para o desenvolvimento.  "Adotamos uma nova forma de fazer pesquisa, onde as ações são realizadas para os agricultores e com eles, levando em conta a realidade local", afirma o pesquisador. Para Fernandes, a metodologia possibilita que os agricultores se tornem protagonistas e passem a ser sujeitos, não objetos. "É assim que a comunicação e a autonomia têm se tornado fundamentais no Sustentare, como diferenciais em metodologias participativas."

Nas comunidades rurais onde atuam, os técnicos trabalham com realidades diferentes. "A própria metodologia consegue captar essas nuances que existem nos locais, tanto que as demandas são diferenciadas, mas convergem para temas afins: transição agroecológica (mudança da agricultura que desmata e queima para uma agricultura sustentável), construção social de mercados e manejo da agrobiodiversidade (espécies animais e vegetais existentes na comunidade). As estratégias adotadas são distintas, de acordo com a realidade de cada local", conclui Farias.

Resultados práticos

Os técnicos da Embrapa iniciaram nas três comunidades um processo de transição da agricultura tradicional extrativista para uma agricultura sustentável. No Sítio Areias foi implantado um quintal produtivo, um roçado agroecológico, uma casa de sementes e feito o reflorestamento de uma mata ciliar degradada. No Pé de Serra Cedro também está sendo recuperada uma área degradada onde foi montado um sistema dividido em três faixas, fazendo uma comparação entre o cultivo tradicional, a incorporação de matéria orgânica e de leguminosas.

Outro resultado prático é a construção social de mercados que possibilita a inclusão sócio-produtiva dos agricultores, antes dependentes dos atravessadores para comercializar seus produtos. Em novembro de 2013 foi realizada a primeira feira agroecológica no Pé de Serra Cedro com resultados acima do esperado. Para este ano, os agricultores estão programando duas feiras. "O projeto fortaleceu nossos conhecimentos sobre construção de mercados. Precisamos compreender melhor para quem estamos vendendo", afirma o agricultor Francisco de Assis.

O Projeto Sustentare deve encerrar as atividades no início de 2015. Mas, para os agricultores envolvidos, as ações nas comunidades não vão acabar. "Eles (os técnicos da Embrapa) chegaram para ensinar a gente a andar e o que a gente aprendeu é pra ficar, não é para acabar junto com o projeto", afirma Francisca. Para Francisco de Assis, o desafio é mobilizar as comunidades que fazem parte do Sustentare para demandar outras pesquisas junto à Embrapa: "É pensamento nosso buscar outros conhecimentos por meio da pesquisa."

Fonte: Embrapa

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